A dor da perda 15 anos depois


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Zuvia Ospedal: com fé e amor, a reconquista da alegria de viver
Zuvia Ospedal: com fé e amor, a reconquista da alegria de viver
A morte de um filho quase sempre é uma inversão da ordem das coisas e do universo difícil de ser aceita, justamente por não ser natural. Quando percebeu que seu filho Jonas, com 23 anos em 1991, não voltara para a sua casa, onde vivia com a mulher e a neta de dois anos, no Pari, zona norte de São Paulo, Zúvia Ospedal da Silva, 71, percebeu que havia algo errado, simplesmente porque o filho, também, como de costume, não fora visitá-la. Em São Paulo não há o que se fazer. Desaparecidos são procurados em necrotérios, hospitais, postos de saúde. Sua rotina foi assim durante dias. No Instituto Médico Legal, Zúvia deparou-se com uma foto que, de longe, parecia ser Jonas, embora a todo custo se recusasse a acreditar. O corpo da foto havia sido enterrado pouco antes como indigente, sem nenhuma identificação. Nem mesmo com a entrega dos documentos do filho veio a certeza. O corpo do IML, com cinco tiros dados por policiais militares, num suposto confronto, era dele, certeza que veio apenas três anos depois, quando os restos foram retirados para remoção. Uma correntinha de plástico, da qual não se separava, serviu de confirmação. “Durante três anos fiquei com vontade de desaparecer, de morrer junto com ele, mas tinha os outros que dependiam de mim”, disse Zúvia, que cuidou sozinha dos filhos após a morte prematura do marido. Geladinhos, doces, salgados, tudo servia para trazer algum dinheiro para a família, mantendo a casa na qual morou por 23 anos e onde após incontáveis enchentes perdeu tudo o que tinha em seu interior. Morando em Franca, para onde veio dez anos atrás com os filhos Joelma e Jomar, após se aposentar como funcionária pública estadual, Zúvia da Silva vê vitórias e não ressentimentos na sua trajetória. “Sempre tive que suportar a dor, cuidando dos meus filhos. Sou muito religiosa e superei tudo. Não esqueço nada, mas acredito que as coisas acontecem porque Deus nos reservou assim”. (PG)

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