O estereótipo de “sexo frágil”, parece, vai longe. Diante das muitas lutas travadas e vencidas, a mulher tem demonstrado ao longo do tempo que tem muito de forte. Superar preconceitos e tabus parece fazer parte da rotina dessas guerreiras. Nessas muitas histórias de mulheres lutadoras, que brigam - duramente ou docemente - contra o mundo se for preciso para defender seus ideais, seus filhos e sua família, se encaixa a história de Roberta Toledo. No caso dela, o desafio é ainda maior, uma vez que a superação de cada dia depende também de superar suas próprias limitações. Acometida por uma má-formação congênita nasceu sem partes dos braços e das pernas. Ao invés de ficar se lamentando, foi à luta. E venceu. Roberta é nadadora. Por mais incrível que isso possa parecer à primeira vista. E das boas. É campeã dos Jogos Regionais e Abertos nos 50 metros livres e sonha alto: “Em minhas metas está disputar as Paraolimpíadas de Pequim, em 2008”. O primeiro passo é voltar a treinar. “Estou há dias sem nadar, pois a Prefeitura não liberou a piscina do Póli”. Preconceitos? “Existem, claro. Mas, com o tempo, as pessoas nos conhecem melhor e a dúvida, ou compaixão, se transformam em respeito. Não ligo para o que pensam, quero mais é nadar. E vencer, de preferência”. Roberta não usa a deficiência como desculpa. Sua força se revela nos pequenos gestos, na pequena rotina para a qual ela não faz corpo mole. É ela quem toma conta da casa e do marido, o industriário Valtercides Alves Moreira, 34. “Lavo, passo e cozinho. Levo mais tempo, mas faço”. A “super-Roberta” será homenageada hoje, na Câmara Municipal. Se envaidece e se sabe merecedora “Se uma mulher que não tem deficiência alguma e se supera todos os dias para trabalhar, praticar esportes e cuidar da família merece, não só eu, mas toda deficiente física que exerça tais atividades, merecemos homenagens em dobro”. (MJ)
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