Esméria Taveira Sintra, 64, dá, à primeira impressão na conversa por telefone, a idéia de que é uma mulher fraca e resignada diante de seus problemas. Mas não é, e isso se percebe conforme foi avançando a longa prosa que essa mineira da vizinha Claraval (MG) se dispôs a ter para contar como, desenganada pelos médicos, que não viam possibilidade de cura para uma grave doença, livrou-se dela e apegou-se à vida, dedicando-se, agora, a cuidar de pessoas doentes, sobretudo de câncer. Esméria, nome dado em homenagem à avó, com que se chamam outras duas primas, mãe de três filhos legítimos e uma adotiva, vive sozinha em sua casa em Franca. Passou por graves problemas de saúde que levaram a família a se reunir esperando pelo pior. A filha Verônica Sintra, religiosa da Congregação “Jesus Maria José”, devota de Madre Rita, orava e pedia pela recuperação da mãe. Após passar por uma cirurgia, da qual os médicos não davam nenhuma garantia, Esméria recuperou-se em seis dias, o que levou os mesmos médicos a darem outro parecer: “Só podia ser divino”. “Minha filha orou e Madre Rita me curou”, disse ela. Poucos anos mais tarde, em março de 1994, o marido, Benedito, morre. Verônica, que estava nos Estados Unidos, volta ao Brasil. Com problemas no coração, teria se emocionado com a morte do pai, morrendo quatro meses depois, em agosto, com 34 anos. Hoje, cuidando de seus doentes, disse que vive sem se apegar a nada, a não ser a família. “Não tenho medo de mais nada, não me apavoro com a dor e espero que minha filha Verônica me guie e Deus faça o que for melhor”. Em maio, dona Esméria embarca para a Itália onde, em meio a um grupo de religosos, visitará o túmulo de Madre Rita, que deverá ser canonizada pelo papa Bento XVI. (MF)
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