Dois filhos assassinados no mesmo dia


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Vanderli Sales Marques: dois filhos, duas perdas
Vanderli Sales Marques: dois filhos, duas perdas
Carlos Eduardo Oliveira Pires, 23. Robson Francisco Pires, 20. Assassinados com tiros na cabeça. Para a doméstica Vanderli Sales Marques, 41, a manhã do dia 29 de dezembro de 2005 jamais será esquecida. Neste dia ela ficou sabendo que seus dois filhos tinham sido encontrados mortos na Rodovia Rio Negro e Solimões. “A gente está de pé por Deus. Está sendo difícil”, resumiu a mulher, de porte franzino e fala mansa. A morte de dois de seus três filhos na mesma ocasião (ela tem uma filha, atualmente com 27 anos) a abalou a ponto de deixar de comer durante dias.’É difícil demais pensar que não estão mais aqui, que não voltaremos a conversar sobre coisas comuns, que eles se foram para sempre, de repente, os dois juntos. É terrível pensar nisso.’ Um tratamento psicológico foi necessário para a doméstica continuar vivendo. Vanderli Sales agora busca apoio no fato de cuidar de um neto com apenas 11 anos.Ela sabe que o menino precisa dela e busca resistir para cumprir esse dever, essa missão. A doméstica lembra-se com detalhes dos dias que antecederam a tragédia. O último contato com os filhos aconteceu na quarta-feira, quando eles passaram em seu emprego, no Centro de Franca “Eles tinham pedido para que fôssemos visitá-los. Eu e meu marido íamos na sexta-feira, mas passei tão mal que não consegui sair de casa”. Segundo ela, o mal-estar seria uma premonição, um aviso da morte dos ‘meninos’. Um dia depois do assassinato, ela descobriu pelas páginas do Comércio porque Robson e Eduardo não haviam aparecido em sua casa ou dado notícias. Até o último momento tentou não acreditar que a tragédia fosse verdadeira. O reconhecimento dos corpos foi feito por seu atual marido. “A gente fica naquela expectativa de não ser verdade, mas ele (marido) me ligou confirmando. Eu desabei na hora, uma dor,e comecei a chorar”. Dois meses mais tarde, as lágrimas não secaram. As lembranças estão por toda parte: num lugar onde eles gostavam de se sentar,em algo que tocaram, em álbuns de fotos guardados na estante da sala; e especialmente no coração da mãe. “Todo dia penso neles”. Do futuro, ela diz querer apenas que a justiça seja feita. (RC)

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