Bravas Mulheres


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Paulo Godoy da Redação Hoje é o dia delas, de todas elas. Brancas, negras, orientais, européias, católicas, protestantes, sem crença, sem cor definida. Hoje é o Dia Internacional da Mulher, mas bem que poderia ser o dia internacional da sutileza, da sensibilidade, do zelo, da graça, da amabilidade, da sensualidade, dos cuidados de mãe, dos cuidados de menina. Dia Internacional das Meninas. Dia Internacional da Celebração Feminina. Não é tão somente uma homenagem esta a que o Comércio da Franca se presta. Mas hoje, especialmente, como tantas outras vezes já aconteceu, a intenção é mostrar que o avesso do mundo masculino é muito mais cheio de beleza e como mulheres de idades, origens e histórias tão diferentes podem se identificar em momentos de superação e vitórias, provando que vencer dificuldades é uma condição vital. Entre as entrevistadas para esta reportagem um traço comum a quase todas é a religiosidade e a crença em Deus. Sejam como Zúvia Silva ou Vanderli Sales Marques, que perderam os filhos para a violência que se institucionaliza no País ou como Tereza Alves, que há dois anos espera pelo filho de 16 anos, desaparecido, o apoio religioso indica mais que uma opção para superar as dores da perda e das adversidades. Mostra como crer em algo as mantêm vivas e dispostas a recomeçar. Nem que seja carregando para sempre as mesmas dores, palavra que não existe no vocabulário de Roberta Toledo, 32. Nascida com deficiências físicas que limitaram seus membros superiores e inferiores, Roberta é nadadora e sonha em disputar as Paraolimpíadas de Pequim, em 2008. Para ela, as dificuldades estão aí para serem enfrentadas e o preconceito, para ser combatido. E os vence a cada dia, transformando a caridade das pessoas em respeito, sempre fazendo o que mais gosta: estar dentro de uma piscina. A homenagem a todas as mulheres do mundo, que passou a valer em 1975 como reconhecimento póstumo ao trágico desfecho para uma questão trabalhista ocorrida em 1857, nos Estados Unidos (leia maisna página 12), quando 129 operárias morreram, ainda é pouca e pequena diante de tantos abusos, violência, maus-tratos e preconceitos verificados todos os dias, mais de 150 anos depois.

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