Crise e estabilidade do cargo inflaram concurso


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O secretário Jerônimo Pinto fala sobre as metas a serem atingidas com a realização do concurso público para provimento dos cargos da administração: ‘A abertura de vagas se deve à reposiçã
O secretário Jerônimo Pinto fala sobre as metas a serem atingidas com a realização do concurso público para provimento dos cargos da administração: ‘A abertura de vagas se deve à reposiçã
O secretário de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Franca, Jerônimo Sérgio Pinto, não garante, mas reconhece a necessidade de reposição no quadro funcional da prefeitura. Daí a abertura de 607 vagas, que poderão ser preenchidas até o final de 2008. Para ele, a prova do concurso teve um bom nível e o grande interesse se deu em razão da crise econômica calçadista e da estabilidade do serviço público. Nesta entrevista, ele explica como essas vagas foram abertas e se diz satisfeito com os trabalhos do Ibam, empresa contratada para executar o concurso público. Comércio da Franca - As 607 vagas oferecidas no concurso serão preenchidas até o final da atual administração? Jerônimo Sérgio Pinto - A prefeitura realizou o concurso como estratégia administrativa. No momento, não posso garantir que 100% dos aprovados serão convocados. Posso garantir que essas 607 funções existem, são úteis e necessárias. Comércio - Como se explica, então, a abertura dessas 607 oportunidades de trabalho? Jerônimo - A legislação funcional estabelece que, ao fazermos um concurso, determinemos para quais cargos serão abertas vagas. Com base nessa norma, criamos as oportunidades. A abertura de vagas se deve à reposição de cargos em que funcionários tiveram de sair por aposentadoria ou porque arrumaram outro trabalho, além de falecimento. Só no ano passado, foi uma média de 11 por mês. Como nosso último concurso perdeu a validade em 2004, estávamos sem contratar. E há ainda funções obsoletas, que colocamos em extinção. Comércio - Cargos obsoletos? Quais seriam? Jerônimo - Vou dar o exemplo dos agentes administrativos, agentes administrativos auxiliares, os auxiliares do escriturário, auxiliares de serviços internos, entre outros. Como nosso quadro é antigo, são funções que permanecem, mas não há mais funcionários para tal. Como enfrentamos dificuldades em modernizar a máquina, agrupamos essas funções na de ajudante geral. Comércio - Para contratar o Ibam para realizar o concurso, a prefeitura usou como base a lei 866, que dispensa licitação para serviços especializados. No entanto, problemas técnicos ao longo do processo seletivo motivaram alterações em 32 questões. Outras 20 foram anuladas. Qual a análise que o senhor faz dos trabalhos do Ibam no concurso? Jerônimo - Veja bem, ainda é prematuro fazer uma análise final, porque o processo seletivo não acabou e poderemos ter mais problemas ainda [risos]. Quando resolvemos realizar o concurso, convidamos a Vunesp, a Fundação Carlos Chagas (que não nos deu resposta) e o Ibam, além de empresas da cidade, que alegaram não ter condições fazer um concurso dessa envergadura. O Ibam foi escolhido, pois seu preço de inscrição para o candidato era mais baixo do que o da Vunesp. Nós ficamos satisfeitos com o trabalho do Ibam. Em um concurso que fizemos recentemente para a área da Saúde, tivemos cerca de 10% de erro nas formulações de questões. Quando a imprensa fala em 52 erros, deixa de considerar que 20 foram anuladas e, por isso, todo mundo ganhou ponto. As outras 32, sim, representaram erros. Levando-se em conta, porém, que a soma das 69 provas totalizava 2,8 mil questões, não chega a 2% de erro. Em um concurso com 27 mil inscritos, inevitavelmente teremos erros. Comércio - Dos 25.279 candidatos que fizeram a prova, 19.949 estão entre os aprovados. Com relação à prova, o senhor acredita que permitiu uma boa seleção dos candidatos? Jerônimo - A Constituição diz que o acesso ao setor público se dá por concurso, mas não fala em convocar os mais aptos. Estabelece-se uma competição entre os interessados. Nós veremos se a pessoa tem condições ou não de trabalhar dentro do período de experiência. Caso tenha rendimento negativo, outro aprovado é chamado. Comércio - Na sua opinião, o que motivou o interesse de mais de 27 mil candidatos pelo concurso? Jerônimo - O atual momento econômico vivido na cidade, com as demissões nas indústrias de calçados no final do ano passado, por exemplo. Além disso, os salários que a prefeitura paga, maiores do que os pisos de muitas categorias e a oportunidade da estabilidade profissional.

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