Designer transforma material descartável em bolsas para vender em Londres


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Que fim levam milhares e milhares de sacolinhas de supermercados depois de servirem para transportar mercadorias? O lixo é local certo. Mas se parar nas mãos da designer ribeirão-pretana Juliana Zacarelli Soares, 28, o destino será completamente diferente. Ela desenvolveu uma técnica que transforma as tradicionais sacolinhas em bolsas, as quais são consideradas verdadeiras obras de arte. O toque final é feito com tecido, em especial a chita - que também passa por um processo de transformação -, e bordados. Tudo é feito à mão. Quem olha não imagina que o material principal é plástico de sacola. Qualquer mulher, apaixonada ou não por bolsa, se encanta com a novidade. Tudo começou quando Juliana, que é de Ribeirão Preto, se mudou para Londres (Inglaterra) para estudar inglês. Acabou freqüentando, por três anos, a faculdade Chelsea College of Art and Design, onde aprendeu técnicas para produzir tecido. “No fim do curso eu tinha que apresentar um trabalho e o tema escolhido foi a reciclagem envolvendo a cultura brasileira. Foi então que fiz várias pesquisas sobre como reutilizar o que virou lixo. Surgiu então a idéia de reutilizar as sacolinhas de supermercado, que sempre vão parar nos lixões de qualquer cidade do País”, disse ela. Engana-se quem pensa que a bolsa fica com aquele barulho irritante de plástico e com a textura mole. Pelo contrário, elas são durinhas e resistentes ao sol e à chuva. Quer saber como transformar o plástico mole em uma linda bolsa? Pode desistir. Isso nem a reportagem ficou sabendo. Segredo absoluto. Juliana não revela a técnica usada para ninguém, principalmente porque ainda não patenteou as bolsas. O processo é guardado a sete chaves e assim deve ficar por um bom tempo. Desde que começou o trabalho, há um ano e meio, foram produzidas pouco mais de 30 peças. E o bom é que são modelos exclusivos. Brancas, pretas, amarelas, rosas, mas únicas. Juliana afirma que não consegue fazer um modelo igual ao outro, já que tudo é feito à mão. “Como só eu sei a técnica, é um processo demorado. Tenho que desenvolver o tecido (que dá o toque especial na elaboração de detalhes como arranjos de flores) e o plástico, que demora muito para ficar pronto”, disse a designer, ressaltando que para confeccionar cada bolsa leva quase dois dias e tudo é feito em casa. “É bem trabalhoso”, esclareceu. Como ainda está no início do processo de produção, Juliana Soares ainda não estipulou um preço, principalmente em real. Até porque, inicialmente, as bolsas deverão ser comercializadas somente em Londres, para onde ela voltou no fim de fevereiro. Lá participará de uma exposição onde serão apresentados 19 modelos. Depois deve voltar ao Brasil para mais um novo período de produção, inclusive com modelos novos. (leia texto abaixo).

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