Esta nossa sociedade é mesmo esquisita. Decretam-se que pessoas com mais de 60 anos podem andar de graça nos ônibus, pagar meia-entrada no cinema, enfim perceberam que, também após os 60 anos as pessoas se locomovem e se divertem, mas e o seguro saúde? Cobra-se bem mais, justo no momento em que os gastos com remédios é maior, tanto que a maioria se vê obrigada a depender do fracassado sistema de saúde.
Não vejo esse ‘decreto’ como benefício, pois numa sociedade razoável deveria apresentar-se como condições mínimas de dignidade e respeito; benefício tem jeito de concessão, de caridade.
Deveria (ironicamente falando) ser preciso dar às crianças carinho, colo, atenção e alegria, porque o indecretável amor anda raro. Decretaram que ninguém pode passar fome? Que o patrão não pode pagar tanto imposto em troca de quase nada? Que homossexual é gente como qualquer um de nós, e com a mesma dignidade?
Deveriam sim decretar ‘urgentemente’ que preconceito é uma doença, a infelicidade é proibida, que não se deve ser corrupto, falso, arrogante, prepotente, cínico, etc.
Ana Célia de Freitas
é educadora e atua na área de Educação Infantil
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