Para Euclides Celso Berardo, diretor da Faculdade de Direito de Franca, uma das mais conceituadas do País, as mudanças exigidas pela sociedade e que, obrigatoriamente, passam pela renovação das instituições, estão diretamente ligadas à transformação dos valores dos próprios cidadãos. Deixando o academicismo de lado, o professor Berardo, juiz de Direito aposentado, profissão que exerceu durante mais de 30 anos, foi direto: “nossas instituições estão falidas”.
Como exemplo para sua afirmação, citou as próprias corporações policiais, que não conseguem mais atender aos cidadãos, dando respostas imediatas e satisfatórias às suas necessidades. “Não vemos mudanças, sugestões sendo apresentadas”, ponderou Berardo. “Enquanto isso, a situação só tende a piorar”.
A piora a que se refere o professor Berardo tanto mais se acentua à medida que, em sua opinião, apenas alguns segmentos da sociedade buscam soluções e alternativas para enfrentar seus problemas e ter o retorno que esperam de instituições, governamentais ou não. “No entanto, entendo que este estado de coisas deveria sofrer uma transformação total, com o envolvimento de toda a sociedade”, garante Celso Berardo.
Questionado sobre a falta de iniciativas de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil ou o próprio Judiciário e o Ministério Público, o ex-juiz evitou falar em complacência, preferindo opinar que apenas um ou outro segmento, isoladamente, não conseguiria mudar de forma significativa o quadro de desamparo a que os cidadãos estão expostos hoje.
Em sua opinião, por mais que se apregoe, nem mesmo o Poder Judiciário está hoje em condições de defender os interesses do cidadão. Assoberbados, juízes não conseguem dar respostas com a rapidez que se espera, afugentando o cidadão comum, que não encontra nos fóruns o amparo que procura. “Não adianta dizer a uma pessoa sem recursos que vá ao Fórum, porque isso não resultará em nada prático”, avaliou. “Primeiro porque ela não se sente segura. É um ambiente impessoal, onde se fala uma língua que ela não entende. E, depois, porque o Judiciário não tem como dar essa resposta”, disse.
Sua aposta, disse Celso Berardo, está no investimento em educação e infra-estrutura. “Quando a sociedade se organiza e se impõe, cobrando resultados e iniciativas, exercitando sua cidadania, as coisas mudam”.
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