Quando se trata de reclamar seus direitos, tão natural quanto buscar o Ministério Público ou o Judiciário, é buscar o auxílio da imprensa. Na ausência de uma resposta rápida às suas necessidades, pessoas de todas as classes sociais, mas, sobretudo, as mais baixas, recorrem cada vez mais a emissoras de rádio, jornais e TVs, buscando a ajuda e o comprometimento que deveriam encontrar em órgãos, institutos e entidades governamentais.
Parte desta avaliação é do promotor Paulo Borges, da Promotoria Pública de Defesa da Cidadania de Franca. Segundo ele, porém, por desconhecimento, decorrente da falta de propaganda dos mecanismos que a população tem a seu favor para cobrar seus direitos, a imprensa acaba sendo algumas vezes o caminho direto de quem se vê prejudicado em qualquer sentido.
Por outro lado, acrescenta Borges, as corregedorias (no caso das polícias) ou as ouvidorias (do Judiciário) poderiam ser mais exploradas. O problema está na divulgação desses serviços, que muita gente nem sabe que existem. “As pessoas, talvez, não tenham informação suficiente sobre esses caminhos, o que faz com que a imprensa cubra essa lacuna”, disse o promotor.
Sobre o órgão que representa, não poderia ser diferente. Paulo Borges disse que o Ministério Público não só tem muito crédito junto à população, como esta reconhece sua importância, recorrendo ao MP mesmo para assuntos para os quais seus integrantes não têm atribuição.
Em casos de maior repercussão, ocorridos nos últimos meses, o Ministério Público de Franca esteve envolvido ao menos três vezes: na apuração das irregularidades cometidas pelo comando do Corpo de Bombeiros, cujo procedimento ainda está aberto, no pedido de liminar contra a interdição e suspensão do atendimento médico a pacientes da região, pela Prefeitura, no final do mês passado.
Em novembro do ano passado, o Ministério Público pediu o seqüestro de bens da empresa Alpha Promoções e Eventos, que realizava festas de formatura para estudantes de Franca. Após fechar as portas, a empresária Ana Cláudia Faria deixou um calote de mais de R$ 4 milhões na praça.
Até agora, no entanto, nenhum aluno recebeu R$ 1 sequer do que pagou. No caso dos bombeiros, a única pena por enquanto foi administrativa, com a transferência dos envolvidos para outras cidades. A promotoria mantém a investigação.
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