A falta de servidores e acomodações voltou ontem a ser alvo de reclamações na agência do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de Franca. Depois de registrar uma fila de dobrar o quarteirão na manhã de quinta-feira, o posto da Previdência Social viveu novamente momentos de caos ontem com a ausência de médicos peritos. Com apenas três profissionais cadastrados na cidade, os segurados foram obrigados a esperar a chegada de médicos da região e aceitar a falta, sem maiores explicações, de uma médica de Ribeirão Preto. Antes eram 12 peritos, mas com a dispensa promovida pela Previdência daqueles contratados, somente sete (três de Franca) estão no trabalho. Ontem, três trabalhavam.
O caos aconteceu por volta das 14h30, quando a maioria dos pacientes já aguardava há mais de duas horas. Sem assentos, em um corredor onde mais de 50 pessoas se apertavam, a notícia da ausência da médica e da remarcação das perícias foi motivo de revolta. “Saímos de Rifaina às 10h30, são quase 15 horas e estamos voltando sem sermos atendidos. A perícia precisou ser remarcada para o dia 10. Isso é um absurdo”, disse indignado Devanir Ferreira, que veio ao posto acompanhar o ex-lavrador Benedito Alves, 59. “Ele é deficiente visual, tem dificuldade para andar e está atrás da aposentadoria. Para conseguir o atendimento é um martírio”, afirmou o amigo.
A professora Vera Passos, moradora no Jardim Progresso, também ficou desconsolada diante da desorganização no atendimento e resolveu aproveitar o tempo ocioso com a leitura de um livro. “Consegui uma cadeira nesta sala e vou ficar na espera. Só saio daqui atendida”, ressaltou.
Em todos os cantos, o olhar de cansaço e sofrimento se tornavam mais expressivos em decorrência do forte calor e de uma infra-estrutura não adequada à demanda da agência. “A pessoa que vem aqui ou está doente ou com alguma deficiência; muitas vezes tem gente de muleta e não tem cadeira para sentar. Mães com crianças no colo muitas vezes chegam a sentar no chão”, disse revoltada, a doméstica Joana D’Arc Ribeiro Alves, do Jardim Aeroporto III.
MELHORIAS
Segundo a chefe da agência da Previdência Social em Franca, Célia Visconde, o problema tem várias justificativas. As principais são a falta de servidores e de infra-estrutura adequada. “Solicitei mais cadeiras para o posto, mas o processo é demorado em razão de ter de passar por licitação. Também fiz o pedido e está prevista uma reforma básica no prédio, porém é preciso aguardar”, relatou. Sobre a ausência de médicos peritos, Célia lembrou da existência de um concurso. “Esperamos receber até julho cerca de dez profissionais e antes, no próximo mês, seis novos servidores”, antecipou.
Para ela, o tumulto de ontem e de quinta-feira são atípicos. “Ficamos dois dias parados e todo começo de mês temos mais serviços”, explicou. Sobre as filas, Célia disse que elas podem ser evitadas pelos próprios segurados.
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