Leandro J. A. Cruz
Editor-assistente do Caderno B
Passado meio século da posse do presidente mais popular da História do Brasil, a vida de Juscelino Kubitschek é retratada (com floreamentos e irrealidades históricas) pela minissérie JK, da TV Globo. Muitos telespectadores francanos ajudam a produção “global” a abocanhar seus 29 pontos no Ibope.
“50 anos em 5”. Sob esse lema, o presidente Juscelino Kubitschek envolveu, quase totalmente, o Brasil em uma atmosfera de esperança e desejo de progresso. De fato, o chamado Plano de Metas de JK trouxe avanços para todo o País, embora a dívida pública tenha crescido nesse período.
Em Franca, na segunda metade da década de 50, muitos avanços também foram notados. Contudo, para se fazer justiça aos visionários e empreendedores de nossa cidade, deve-se sinalizar que Juscelino não foi o responsável por esse progresso. Os únicos marcos de JK na cidade foram a autorização para a instalação da Faculdade de Direito e a agência da Caixa Econômica Federal.
O historiador Agnaldo de Sousa Barbosa, autor de Política e Modernização em Franca: 1945 -1964 (Editora Unesp), co-autor (junto com Alberto Aggio e Hercídia Mara Facuri Coelho) de Política e Sociedade no Brasil: 1930-1964 (Annablume Editora), se prepara para lançar um novo livro com título quilométrico: Empresariado Fabril e Desenvolvimento Econômico: Empreendedores, ideologia e capital na indústria do calçado (Editora Hucitec), que contará a saga do pólo calçadista francano de 1920 a 1980.
Barbosa, pesquisador da Fapesp, admite que os anos 50 foram marcados pelo progresso em Franca, acompanhado pela modernização da indústria. Foi o período no qual a cidade ganhou o título de Capital do Calçado Masculino. Contudo, sustenta Barbosa, “o progresso francano não está ligado à figura de JK, mas se deve muito mais a pessoas como o governador Adhemar de Barros (rival de Juscelino), o prefeito Onofre Gosuen e, principalmente, a corajosos empreendedores como Miguel Sábio de Mello”.
Os empresários francanos, que tiveram a coragem de se modernizar, investir, buscar novas tecnologias na Europa e nos Estados Unidos, sempre reclamaram do governo de JK. O presidente, que favorecia setores da índústria de base (química, siderurgia, etc.) e regiões com maior peso político no Congresso, não cedia crédito à indústria de calçado de Franca. Já o pólo calçadista gaúcho conseguia favorecimentos do governo federal.
Cartas da Acif e de outras entidades patronais demonstram a insatisfação do empresariado francano. Em uma delas, datada de 1959, os empresários diziam: “Os aumentos de despesa, devidos a novas exigências fiscais acrescidas das majorações salariais, desacompanhados de facilidades creditícias, estão acarretando demissões em massa de operários, com a conseqüente diminuição da produção”.
A RODOVIA DA DISCÓRDIA
Outra reclamação dos empreendedores locais, conforme os documentos e jornais da época demonstram, era a falta de infra-estrutura. Enquanto o governo federal realizava grandes obras que ajudavam o desenvolvimento de outras regiões, a rodovia Franca-Araxá nunca era asfaltada, embora Juscelino sempre prometesse realizar esse empreendimento, tendo inclusive inaugurado o início das obras naquela cidade mineira. A conclusão da pavimentação dessa rodovia era fundamental para que o produto francano conquistasse os mercados mineiro e goiano. Somente anos mais tarde, e graças ao governo estadual de Minas Gerais, é que se tornou possível ir a Araxá sem atolar no barro.
Contudo, não se pode afirmar que o governo federal tenha sido totalmente ausente de nossa cidade nos anos JK. Foi nessa época que a primeira agência da Caixa Econômica Federal foi instalada aqui.
Juscelino também assinou a autorização para a criação da Faculdade de Direito de Franca, a pedido do prefeito Onofre Gosuen.
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