Existem acontecimentos que marcam a História de modo a dividi-la entre “antes de” e “depois de”. Os anos JK, chamados pelos mais românticos de “anos dourados”, definitivamente se enquadram nessa categoria de divisor de águas.
É verdade que Juscelino não foi o único responsável pelas transformações ocorridas nesse período, mas o médico de Diamantina se tornou um símbolo, um ícone, a personificação do progresso dos anos 50.
Em Franca, as transformações ocorriam de maneira visível. A Praça Barão, que no século 19 era o pelourinho no qual os escravos eram castigados publicamente, onde o Capitão Anselmo desafiou as autoridades de seu tempo, era, no início dos anos 50, a ágora francana. Sendo o centro da cidade o principal centro comercial, sendo a prefeitura tão próxima dali, estando instalados naquelas proximidades jornais de diferentes tendências políticas, circulavam pelos cafés e livrarias dali políticos, pensadores, críticos, artistas.
O então prefeito de Franca, Onofre Gosuen, alargou ruas do centro, pois os automóveis substituíam os cavalos velozmente. Afinal, JK incentivava de forma intensa a indústria automobilística. As populares Casas Higino vendiam tantos eletrodomésticos (febre daquela época) que podiam até sortear Cadillacs para seus clientes.
A prefeitura, com financiamento do governo estadual, aumentou a captação de água dos córregos São João e Bananal, evitando o racionamento.
Enquanto JK transferia o centro do poder para o meio do País, longe da vista de todos, a prefeitura de Franca também foi levada para longe daquele caldeirão que era a praça. Mas no local onde outrora ficava o paço municipal foi instalado o Museu Histórico Municipal, por iniciativa de José Chiachiri (o pai), salvando o palacete da destruição gradual por que passaria o centro da cidade.
Gosuen até tenta embelezar a cidade, instalando monumentos pelas principais praças e vias públicas. O velho político até confessa que se arrepende de ter erigido um deles, o busto de Vargas, colocado na avenida que leva o nome do ex-presidente por pressão de simpatizantes do ditador gaúcho.
Poucos anos depois o Hotel Francano foi derrubado, o Mercadão destruído, os comerciantes passaram a não respeitar as fachadas históricas.
Mas um marco daquela época permanece, um saboroso prato servido nos restaurantes do centro de Franca, um prato criado para homenagear o “presidente bossa nova”. Quem quiser provar o sabor simples, mas delicioso, do contra-filé recheado com presunto e mussarela, basta pedir ao garçom que lhe traga um “JK”, uma especialidade do respaurante do Piu que, por coincidência ou não, fica na Praça Barão.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.