Adhemar de Barros, o populista paulista


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No Estado de São Paulo, Adhemar de Barros rivalizava em popularidade com o presidente JK. Por sua vez, seu assessor, o jornalista Corrêa Neves (foto acima junto com Adhemar), atuava como “o deputado sem cadeira” e trazia notícias e ben
No Estado de São Paulo, Adhemar de Barros rivalizava em popularidade com o presidente JK. Por sua vez, seu assessor, o jornalista Corrêa Neves (foto acima junto com Adhemar), atuava como “o deputado sem cadeira” e trazia notícias e ben
Nos anos em que os populistas dominavam a cena política nacional, São Paulo teve uma figura que, embora exercesse uma liderança restrita às fronteiras estaduais, conseguiu escrever seu nome na História: Adhemar de Barros. Figura ambígua, Adhemar chegou pela primeira vez ao governo paulista graças a uma manobra pouco acertada do então presidente Getúlio Dornelles Vargas. Em 1938, o presidente gaúcho investe em uma estratégia arrojada para consolidar seu poder em todo o País. A estratégia consistia em não bater de frente com as oligarquias locais, mas diminuir pouco a pouco a influência delas. Assim, indicava para interventores nos Estados nomes ligados aos “manda-chuvas”, mas sem muita expressão. Em São Paulo o nome indicado foi o do até então desconhecido Adhemar Pereira de Barros, que viria a surpreender, fortalecendo-se, utilizando para isso a mesma tática de Getúlio. Adhemar foi o primeiro governador a entender a importância do interior, buscando alianças com tradicionais políticos de cada cidade do Estado. Essa rede de alianças era tão firme que permitiu a ele governar o Estado por três vezes. O PSP (Partido Social Progressista), conhecido como “o partido do Adhemar”, conforme revelam Alberto Aggio, Agnaldo de Sousa Barbosa e Hercídia M. F. Coelho em Política e Sociedade no Brasil; 1930-1964 (Editora Annablume), adquiriu tanta força que chegou a eleger 45,5% do prefeitos do Estado nas eleições de 1952. Mesmo quando esteve fora do poder, Adhemar era uma das mais importantes lideranças paulistas, rivalizando politicamente, e em popularidade, com o próprio presidente Juscelino Kubitschek (no poder de 1956 a 1961). Apesar das inúmeras acusações de corrupção e superfaturamento, sua imagem para sempre ficou vinculada ao progresso, à construção de grandes obras (incluindo as rodovias Anhangüera e Anchieta) e à expansão dos serviços de saúde. Apesar da força do “adhemarismo” em todo o Estado, a cidade de Franca apresentou um predomínio absoluto de prefeitos trabalhistas (do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, e do PTN, Partido Trabalhista Nacional) de 1945 a 1964. Diante da dificuldade de firmar aliança com os prefeitos e oligarquias francanos, Adhemar encontrou uma maneira eficiente de se fazer presente nessas três colinas: seu assessor, o jornalista Corrêa Neves. Corrêa Neves sabia que Franca era a vitrine de São Paulo para Minas Gerais, e que se Adhemar quisesse estender sua influência para além do rio Grande, e um dia vir a ser presidente, era necessário mostrar serviço nessa cidade. Corrêa aproveitou a oportunidade para convencer o governador a trazer benefícios para o município que adotara. Foi em grande parte graças a Corrêa Neves que a Faculdade de Filosofia de Franca (hoje Unesp) foi instalada. O jornalista conseguiu também benefícios como ambulâncias para outros municípios da região, lembrando sempre que a viatura era um “presente” de Adhemar. Corrêa soube utilizar tão bem sua proximidade com Adhemar em favor de Franca, que por aqui ficou conhecido como “o deputado sem cadeira”. Em 1954, tantas denúncias de corrupção envolvem Adhemar que, para enfrentar Jânio Quadros nas eleições estaduais, seus correligionários adotam o bordão “rouba mas faz”, que décadas mais tarde seria repetido pelos partidários de Paulo Maluf. Adhemar perde em 54. Corrêa Neves, sempre leal, ajuda o político de Piracicaba a fugir para a Bolívia e depois para o Paraguai, onde permanece até 1956, início da era JK, por haver mandados de prisão contra ele devido ao “caso dos chevrolets”. Haveria irregularidades na compra de automóveis pelo governo estadual. A absolvição de Adhemar é comemorada por grande parte das massas paulistas. Em 1964, Adhemar apoiou a derrubada de João Goulart pelos militares. Mas quando em 1968 o general Costa e Silva decretou o 5º Ato Institucional (AI-5), que instaurava a censura e acabava com várias liberdades civis, ele se opôs ao governo. Assim, ironicamente, acabou tendo o mesmo destino de seu rival JK, o exílio na Europa. Corrêa Neves continua assessorando o político nesse período, mas acaba voltando por não suportar as saudades do Brasil. Adhemar morre na cidade francesa de Lourdes.

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