Fila do INSS atinge mais de cem metros


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Fila na agência do INSS em Franca superou cem metros e em razão do forte sol, pessoas tiveram que esperar do outro lado da rua. Segurados reclamavam da demora
Fila na agência do INSS em Franca superou cem metros e em razão do forte sol, pessoas tiveram que esperar do outro lado da rua. Segurados reclamavam da demora
Marco Felippe da Redação Após dois dias fechado em razão do Carnaval e de um atendimento parcial realizado na Quarta-Feira de Cinzas, o posto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de Franca registrou ontem uma fila de dobrar quarteirão e uma demora que em alguns casos ultrapassou sete horas. Ver atendida uma simples dúvida é uma odisséia. Revolta e sofrimento para quem tem medo de perder benefícios eram os sentimentos mais visíveis entre as pessoas, que aliados ao sol quente e à falta de assentos, faziam com que muitos chorassem de raiva. Antes mesmo de o sol nascer, a fila dobrava o quarteirão da Rua General Telles, no Centro de Franca. Gente de todos os cantos da cidade e região aguardou até as 8 horas para a abertura da agência. Lá dentro, 50 servidores prontos para iniciar o atendimento. Primeiro é necessária a retirada de uma senha para controlar e organizar o serviço. Com ela em mãos, às 10 horas, a pessoa entra na agência e então aguarda em uma segunda fila o chamado pela tela do computador. “Está muito cansativo ficar esperando, mas não tem jeito, temos que agüentar”, disse a costureira Dalva Nogueira dos Santos, 55, que só buscava informações sobre o recebimento de benefícios. Ela, que chegou às 5h30, tinha a previsão de sair do local somente depois das 14 horas. DÉFICIT No final da tarde de ontem, os responsáveis divulgaram o atendimento de 600 segurados. Aumento de 150% em relação às médias anteriores. Segundo a chefe da unidade, Célia Visconde, problemas com auxílio-doença são as causas mais comuns para a fila. A servidora também reconhece a falta de funcionários como agravante e diz que todo começo de mês a agência fica mais tumultuada. “Com a alta médica já programada na perícia - o que faz com que o auxílio seja pago por um tempo limitado - os segurados voltam à agência para pedir a reconsideração da perícia e a continuidade do benefício”, disse. Foi justamente esse procedimento que levou a funcionária de uma empresa de calçados, Ordelice Tomas Rodrigues, 46, a procurar o posto pela terceira vez em menos de dois meses. “Fiz uma perícia no dia 25 de janeiro e o médico me deu alta sem eu saber. Estava aguardando o pagamento e só depois descobri que não teria direito a ele”, disse a moradora da Vila Santa Maria. Depois de cinco horas de espera, ela marcou uma nova perícia para o dia 16. “É um verdadeiro martírio. Meu marido está desempregado e eu que pensava estar afastada pelo INSS, não estou”, lamentou.

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