MLST avisa: novas invasões em março


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Patrícia Paim da Redação O mês de março começa com a promessa de novas ocupações do MLST (Movimento pela Libertação dos Sem-Terra) na região de Franca. O plano já está traçado e a área escolhida, restando organizar os grupos para invadi-la. Novas famílias serão cadastradas para a ocupação que poderá acontecer a qualquer momento. O grupo mantém segredo quanto à localização exata e a data prevista. O coordenador estadual do MLST e membro da Anara (Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária), Mauro Marques, afirma que é a estratégia do movimento, pois a revelação poderia estragar os planos. Marques só adiantou que poderão ser uma ou mais propriedades situadas num raio de 50 quilômetros englobando a região de Franca. As ocupações fazem parte de um plano nacional de invasões no campo. A maioria deve ocorrer na região do Pontal do Paranapanema e o objetivo é chamar a atenção dos governantes para que seja incrementado o ritmo de assentamentos no Estado. A invasão de outra área não significa que as famílias deixarão a Fazenda Santana, localizada no município Cristais Paulista, invadida no dia 11 de fevereiro. No momento, 197 famílias estão acampadas na fazenda de 46,5 alqueires. Apesar da organização do grupo, o fato é que 90% das famílias são inexperientes e optaram por deixar a vida em Franca na tentativa de conquistar o tão sonhado “pedacinho de terra”. Mesmo diante das dificuldades encontradas, o grupo se mantém no local e alega que não deixará a área até atingir o objetivo traçado: conseguir que a Fazenda Santa Cruz, vizinha à Santana, seja desapropriada para reforma agrária. Para isso, eles aguardam uma fiscalização de técnicos do Incra (Instituto Nacional para Colonização e Reforma Agrária). Ontem, o Instituto confirmou não ter nenhuma visita prevista à região de Franca. Entre os problemas enfrentados pelo grupo instalado na Santa Cruz está a alimentação escassa; água potável distante; falta de banheiro e altas temperaturas, que chegam a ultrapassar os 40 graus mesmo embaixo das lonas pretas. Com certeza, não era bem essa a realidade que a maioria das famílias esperava encontrar quando decidiu se aliar ao MLST. De qualquer forma, segundo os organizadores do movimento, ao contrário do esperado, poucas pessoas deixaram o grupo. “Aconteceu justamente o contrário, muitas famílias vieram depois da ocupação e continuam chegando até hoje”, afirmou Mauro Marques.

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