Inexperiência marca 90% dos assentados de Cristais


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As famílias que se encontram hoje no acampamento do MLST (Movimento pela Libertação dos Sem-Terra), na Fazenda Santana, município de Cristais Paulista, não foram obrigadas a acompanhar o movimento, mas o fato é que a grande maioria não estava ciente das dificuldades que enfrentaria ao ocupar uma propriedade rural. Segundo a direção do movimento, 90% das 197 famílias que vivem no local não tinham experiência em ocupações de terra. A invasão se deu na madrugada do dia 11 de fevereiro sob muita chuva, a qual nem na manhã seguinte deu trégua. As barracas foram montadas sob um temporal. Quem não conseguiu se abrigar no barracão existente na fazenda teve que passar a noite em carros ou caminhões. Desde então, pouco mudou. A chuva acabou derrubando barracos que tiveram que ser erguidos novamente. Agora o principal “inimigo” é o sol escaldante. É difícil permanecer dentro das barracas por mais de cinco minutos em razão da temperatura que ultrapassa facilmente os 40 graus mesmo sob proteção de lonas. Não há para onde fugir, já que o terreno onde foram montadas as barracas tem apenas uma árvore. É lá onde se pode encontrar Vitor Nascimento, 60, e João Batista, 58, que passa horas tocando violão para “matar o tempo”. As crianças têm que se apertar no barracão, localizado próximo às barracas, para poderem brincar e fugir do sol. Mesmo diante de tanto calor, as mulheres cozinham dentro das barracas. No cardápio da maioria: peixe frito pescado na represa existente na propriedade. Isso apesar do cartaz pregado na parede de um barracão e onde se lê “proibido pescar”. E é justamente neste lugar onde estão os dois únicos banheiros do acampamento para as quase 200 famílias. Algumas improvisaram chuveiro próximo às barracas para evitar a fila na hora do banho.

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