Rodolfo César
da Redação
Os 18 presos de uma das celas do pavilhão novo da cadeia pública do Jardim Guanabara tentaram fugir na madrugada de terça-feira. Eles estavam no pátio e já tinham lançado a chamada “tereza”, corda feita de colchas, sobre o muro para começar a escalada. A tentativa aconteceu por volta das 2h30 após eles serrarem as grades. Carcereiros de plantão, que faziam ronda nas guaritas, perceberam uma movimentação estranha de pessoas em um dos pavilhões. O alarme foi acionado e os detentos abandonaram a corda e voltaram para a cela. Nos últimos três meses, os presos já tentaram fugir duas vezes e iniciaram um motim, controlado a tiros. “Eles não mostraram resistência ao terem a ação frustrada. Com o alarme, voltaram e abandonaram os objetos”, disse o chefe dos carcereiros Donizete Camilo.
Os policiais apreenderam a corda, cabos de vassouras e rodos usados para facilitar a colocação da “tereza” e um gancho feito com material retirado das camas. As serras não foram localizadas pelos policiais. Geralmente esses objetos cortantes entram na cadeia durante a visita de familiares, escondidos em calçados e outras encomendas. Na unidade local, trabalham em cada período de plantão quatro carcereiros. O número pode ser considerado insuficiente já que o presídio tem quase 500 homens, ou seja, cada um tem mais de cem detentos para tomar conta. Mesmo assim, segundo a polícia, a segurança na unidade está reforçada e os policiais trabalham com atenção redobrada, principalmente durante períodos de festas, como o Carnaval.
Recentemente houve a transferência de mais de 25 detentos condenados para penitenciárias do Estado. Apesar do esforço, o número ainda foi pequeno para desafogar o local. A cadeia do Jardim Guanabara tem capacidade para 218 presos e comportava 473, além de cinco menores, ontem à tarde.
A administração da unidade aguarda o deferimento do pedido de desinterdição da cadeia de Batatais pelo Tribunal de Justiça. O documento foi enviado pela juíza corregedora Simone de Figueiredo há duas semanas. Há cerca de 60 presos da cidade vizinha aguardando transferência.
Também tramita no TJ um recurso pedindo a interdição parcial do Guanabara, feito pelo promotor Joaquim Rodrigues de Rezende Neto. A construção do CDP (Centro de Detenção Provisória) ainda passa por processos burocráticos e a obra não começou.
O delegado Seccional Maury de Camargo Segui foi procurado ontem à tarde na Seccional, no 4º DP, onde fazia uma visita, e pelo celular. Ao ser contatado, informou não dar entrevista ao Comércio.
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