Marco Felippe
da Redação
Quem está acostumado a freqüentar missas em Franca, percebeu algo de diferente ontem. Pela primeira vez nas paróquias da cidade, portadores de deficiências especiais (auditiva, visual, mental, motora, entre outras) fizeram a leitura e auxiliaram os padres no altar durante as celebrações que marcaram o começo da Quaresma e a abertura da Campanha da Fraternidade 2006. Em sua 42º edição, a campanha da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem como tema “Fraternidade e Pessoas com Deficiência” e o lema “Levanta-te, vem para o meio!”. O objetivo é conscientizar a sociedade da importância da inclusão social dos deficientes em todos os setores e mostrar do que eles são capazes. Na Diocese de Franca, o lançamento oficial ocorreu na noite de ontem na Catedral Nossa Senhora da Conceição com uma missa celebrada pelo bispo dom Diógenes Silva Matthes.
Ao justificar a escolha do tema, o bispo destacou que ser deficiente não é um castigo e sim uma situação à qual todos estão sujeitos. Além disso, o religioso afirmou a necessidade da valorização dessas pessoas. “Não é privilégio ser deficiente, por isso a nossa responsabilidade social e batismal é de incluí-los em nosso meio”, disse.
De acordo com dados do Censo de 2000, entre os mais de 26 milhões de brasileiros com deficiência, 27% vivem em situação de extrema pobreza e 53% são pobres. “O objetivo maior da campanha é chamar a atenção de toda a sociedade para a condição de exclusão em que se encontram as pessoas com deficiência e fazer com que essa sociedade assuma sua responsabilidade para reverter esse quadro”, lembrou o frei Mauro Luiz de Oliveira, pároco da Igreja São Judas Tadeu, na Vila Nova. Ontem, na abertura da campanha na paróquia, o sacerdote acolheu um rapaz com Síndrome de Down no Ministério dos Acólitos (ministério de jovens no serviço ao altar). O gesto é apenas uma das ações programadas pela Igreja Católica neste ano.
Segundo dom Diógenes, a campanha da fraternidade será trabalhada ao longo do ano e isto significa dar voz às pessoas com deficiência, denunciar preconceitos, combater discriminações e promover iniciativas que façam avançar políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.