Pouco mais de um ano após a morte de uma família em Campinas por envenenamento, as investigações ainda não estão concluídas. A única sobrevivente, a filha caçula MMC, 17, chegou a morar em Franca durante quatro meses, mas os conhecidos da cidade disseram não ter nenhum contato com ela ou informações sobre o caso. Atualmente, a adolescente vive no Rio de Janeiro com um tio paterno.
O médico homeopata Hudson da Silva Carvalho, 46, sua mulher, Thelma Almeida Migueis, 43, e a filha mais velha, Layla Migueis Carvalho, 17, morreram no dia 30 de janeiro de 2005.
Durante o período de estadia na cidade, a sobrevivente sofreu assédio da imprensa e teve uma vida, segundo a própria prima, que recebeu a guarda dela, “com convívio social”. “Logo que ela chegou, coloquei-a na escola. Ela fez amigos e o que M. mais comentava comigo era o convívio social que tinha”, contou a mulher, que trabalha como professora.
A morte da família era um assunto fora de cogitação. “Até porque o objetivo era esquecer isso”, comentou a mulher. A integração entre a adolescente e colegas de classe foi mesmo grande. Ela namorou durante um período um colega de classe de 16 anos.
Uma hipótese de gravidez da jovem fez com que os dois decidissem fugir de casa no dia 15 de setembro do ano passado. O casal saiu para ir à escola e não retornou. Eles seguiram até Igarapava, a 80 quilômetros de Franca. Um caminhoneiro os trouxe de volta no dia 17, depois que eles contaram ao homem, em um posto à beira da Rodovia Anhangüera, que estavam fugindo.
Ainda nesse dia, as famílias dos dois descobriram o motivo da fuga e um exame constatou que não passava de suspeita a gravidez.
Com a fuga, parentes da adolescente residentes em Campinas pediram na Justiça a guarda de MMC. Antes de o processo tramitar, a prima francana a devolveu à Vara da Infância e Juventude. Dias depois, um tio paterno recebeu sua guarda e hoje ela vive no Rio de Janeiro.
A polícia, que tinha 30 dias para concluir o inquérito, não finalizou nenhum relatório e o caso segue sob segredo de Justiça na Seccional de Campinas. Nenhum suspeito foi apresentado.
“Nunca mais tive contato e, inclusive, meu filho está namorando outra menina e não tenho nada mais a declarar”, disse ontem a mãe do ex-namorado da adolescente.
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