A dura rotina em busca de uma vaga nas fábricas


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Desde janeiro, quando foi dispensado do cargo de cortador de forro manual da Samello, a rotina de Luís Eduardo Amoros, 24, é sempre a mesma. Acorda às 5h30 para ouvir rádio em busca de alguma oportunidade de emprego, toma café da manhã e sai por volta das 7 horas. “Primeiro vou na porta da Difusora para ver se tem alguma vaga anunciada por lá. Se houver, vou atrás”, afirma, meio cabisbaixo por, até hoje, não ter conseguido nada. A reportagem do Comércio o acompanhou em uma dessas tentativas. Montado em sua moto Sundow, que comprou com a mesma dificuldade que tem hoje para conseguir emprego e pagar suas prestações, Amoros vai até uma fábrica no Jardim Santa Rita. Da porta da rádio Difusora, no Centro, onde soube da vaga, até a indústria são quase dois quilômetros. “O pior é a gasolina que a gente gasta para, na maioria das vezes, não obter nenhum resultado”. A fábrica, que neste caso é mais de sonhos que de calçados, é a esperança de uma vida melhor. Já na entrada, a visão de concorrentes. Um deles é Luís Cláudio Rodrigues, 38, casado, pai de dois filhos (uma menina de 8 e um garoto de 15 anos). Rodrigues está desempregado há seis meses. Com vidas diferentes - Amoros é solteiro e mora com o pai -, ambos enfrentam a triste situação de ter que modificar ainda mais seu modo de vida, já um tanto sacrificada mesmo quando estão trabalhando. “Eu e minha mulher vivemos de bicos. Nem sei mais o que é fazer compra de supermercado por mês”, lamenta Rodrigues, que sofre toda vez que sua filha pede alguma coisa “diferente” para comer. Amoros poderia estar em uma situação um pouco melhor se houvesse recebido corretamente o dinheiro referente à rescisão contratual do último emprego. “O meu acerto será dividido em seis vezes. O Fundo de Garantia não estava sendo depositado, então preciso ver como vai ficar. O que vai garantir mais o sustento em casa é o dinheiro do seguro-desemprego”, lamentou.

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