Desempregada, sonhos antigos são substituídos


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O sonho de fazer um curso de enfermagem teve que ser adiado. Agora, os pensamentos que tomam conta da cabeça de Tania Maria da Silva Barcelos, 28, têm a ver com a necessidade, urgente, de um emprego. Casada, mãe de duas filhas, todo o sustento da casa está ameaçado pelo fantasma do desemprego. “Meu marido trabalha, mas ganha muito pouco. Preciso urgentemente de um serviço para poder ajudar a pagar as contas”, disse, cabisbaixa, lamentando às vezes não ter dinheiro para comprar um pacote de bolacha de melhor qualidade para as filhas. “Sempre prezei muito a parte de alimentação. Acho que a gente tem que, pelo menos, comer bem. E nem isso agora estamos podendo fazer”. Tania e seu marido viram, no concurso público recentemente realizado pela Prefeitura de Franca, a chance de uma vida melhor. “Pelo menos é um emprego estável, não é igual em fábrica de sapato, que te dá um emprego hoje e amanhã te tira”. Ela tenta uma vaga para o cargo de serviços gerais e ele, para marceneiro. “Mas acho que não conseguimos. Eu, pelo que pude conferir, errei cinco questões. Do jeito que tinha gente lá, acho que precisava ter acertado mais para ser chamada”. Ansiosa, ela apressa a entrevista porque ainda queria ir ao Distrito Industrial em busca de umas vagas nas fábricas de lá. “O pior é que, sem condução própria, a gente perde um tempão só andando. Dia desses, como não tinha dinheiro para o ônibus, tive que ir a pé do Aeroporto ao Distrito só para fazer uma entrevista. Já dá para imaginar como cheguei até lá, né? Quase morta”, comentou, agradecendo pelo menos o fato de não ter que carregar a filha mais nova com ela. “Uma fica na escola e a outra eu deixo com a minha sogra. Ela ainda não tem idade para ficar em creche”.

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