Revolta e desesperança. Esses dois traços estavam marcados no rosto de Gilberto Magalhães, que, mais uma vez, saíra cedo de casa em busca de emprego. “Ontem mesmo tive que vender pares de sapato que recebi como pagamento do meu último emprego pela metade do preço. Se não fizesse isso,cortariam a água e a luz da minha casa”, disse.
Ele, que vive sozinho, agora está pensando em vender a casa em que mora no Jardim Elimar 3, construída com esforço e dedicação. Ainda sem estar terminada, é com orgulho que Magalhães apresenta o seu cantinho.
Na cozinha, em cima da bancada, um diploma enquadrado é posto ali como um troféu. “Fiz esse curso de Costurador de Calçados na Fôrma no Senai. A gente está sempre buscando aprimorar os conhecimentos, mas, mesmo assim, o desemprego está aqui, do nosso lado”, lamenta.
Sem trabalho fixo desde o fim do ano, Magalhães, que vendera o carro para construir seu imóvel e se casar, viu seus planos irem por água abaixo. “Nem dá para pensar nisso. Como vou tirar a minha namorada da casa dela e trazê-la para ficar comigo se não estou dando conta nem de mim?”, questiona.
A geladeira, quebrada, é só mais um entre tantos problemas. “Não dá nem para comprar uma carne. Eu cozinho aqui, mas, na maioria das vezes, tenho comido na casa do meu pai”.
Apesar de já ter uma larga experiência no ramo, o blaqueador Magalhães está bastante descrente de que conseguirá uma vaga. “É muita gente desempregada. Tem cara que até já começa a pensar em fazer besteira, tamanho o desespero. Isso não poderia chegar ao ponto que chegou”, lamenta.
Com as contas de água e luz de fevereiro ainda pendentes, Magalhães prevê o momento em que terá de se desfazer de algum outro bem para sobreviver. “Já não tenho mais nenhum centavo no bolso. Se continuar assim, terei que vender a moto ou até mesmo a casa. Isso me deixa arrasado”.
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