Para manter a posição de mercado, mesmo com uma produção nacional pouco competitiva, as empresas calçadistas sofrem e aquelas que lhes são conexas temem os respingos da crise. Por enquanto, estão sobrevivendo a ela sem demissões, mas não perdem de vista o cenário preocupante da mola mestra da economia na cidade.
Os trabalhadores de curtumes, por exemplo, já estão em alerta. O presidente do Sindicato dos Curtumeiros, Wainer Machado Silva, não descarta a possibilidade de demissões caso a situação continue na mesma. “A perda que houver no setor de sapato reflete sim no curtidor. Se as projeções dos calçadistas se confirmarem, as da nossa área poderão ser de cerca de 350 dispensas num universo de pouco mais de dois mil.
trabalhadores”, disse ele, con- firmando que está bastante preocupado com a situação, pois um terço do couro trabalhado é para o mercado interno.
Empresas como a tradicional Quimicam, do Grupo Amazonas, que trabalha com produtos como adesivos, solventes e tinners, entre outros, registram perdas, mas ainda não são consideradas tão significativas. “A queda de 4% nos negócios é pequena em relação às perdas do setor de calçados. No nosso caso, o que houve foi uma adequação ao mercado. Se uma empresa fabricava cem pares por dia, passamos a fornecer adesivos para 60”, exemplificou o gerente de marketing Ivan Batista.
O diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Artefatos de Couro de Franca, José Patrocínio de Oliveira, tranqüiliza o setor. “Não tivemos registro de demissões ou fechamento de curtumes por causa disso”.
Por outro lado, há quem procure encontrar um lado positivo da crise ou um caminho para novos negócios. É o caso de Marcos Morais, gerente de marketing da Ivomac, empresa francana que atua no segmento de máquinas de costura industrial para fábricas de calçados e artefatos de couro. “Quando o mercado encolhe, o esforço tem que ser ainda maior para que a empresa se torne mais competitiva. Pensando assim, nossa empresa investe na divulgação de máquinas mais modernas e econômicas para a indústria calçadista, por exemplo”, disse ele.
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