Pagar pelo imóvel não é garantia de ser mutuário


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A CDHU é extremamente rigorosa ao analisar um contrato de gaveta assinado entre um mutuário da companhia e o comprador de um imóvel. Na maioria das vezes, o documento é recusado e a pessoa que adquiriu o apartamento não consegue “passá-lo para seu nome”. Assim, não obtém descontos nas prestações, não renegocia dívidas com a empresa e nem pode pleitear condições especiais para, por exemplo, quitar o imóvel ou pedir a paralisação do pagamento das prestações em razão de desemprego. O pior é ficar sujeito a eventuais ações de despejo. Há casos em que a CDHU pede reintegração de posse do imóvel em razão do não pagamento das prestações. Em outros, familiares do mutuário que realizou o negócio vão à Justiça para reaver o imóvel sob a alegação de não terem concordado. É comum mulheres que se separaram do marido conseguirem de volta o apartamento vendido porque o contrato de gaveta não possui sua assinatura. O comprador perde o imóvel e tem de cobrar na Justiça o dinheiro empregado no negócio. Para aceitar um contrato do gênero, a CDHU exige uma lista infindável de documentos pessoais do interessado e seu cônjuge. Sua situação profissional, bem como comprovação de que esse é o primeiro imóvel da pessoa. Tudo é examinado minuciosamente e no fim a empresa exige a presença do comprador e de seu cônjuge, além do mutuário e sua mulher, na data marcada para assinatura do contrato. Não há sequer devolução dos valores pagos à CDHU pelo mutuário vendedor. A situação em outros conjuntos habitacionais de Franca é ainda mais complicada. No Parque do Horto, a Cohab (Companhia de Habitação), sediada em Ribeirão Preto, é ainda mais rigorosa. As prestações altíssimas levam os moradores à inadimplência, o que só complica tudo. Uma eventual negociação com a empresa inclui o pagamento dos atrasados, cujo montante muitas vezes é superior ao próprio valor do imóvel. Resta somente o despejo. No ano passado, vários moradores foram colocados para fora após longas ações judiciais. O que era sonho torna-se verdadeiro pesadelo.

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