Wildnei Teodoro
da Redação
Quem tem carro movido a álcool e pretende viajar neste Carnaval deve abrir o olho. O panorama de preços em Franca e nas cidades da região mostra um recente e significativo aumento. Donos de postos dizem que nos próximos dias mais reajustes podem ser aplicados. Como se não bastasse a alta nos preços, o fantasma do desabastecimento também assola o consumidor.
Em Franca, o reajuste médio nos últimos dias ficou em cerca de R$ 0,20, o que elevou a média de preços do litro do álcool para R$ 1,79. Na região, os preços que mais assustam são os praticados nas cidades mineiras. Delfinópolis, destino procurado por muitos na época do Carnaval, tem seus estabelecimento vendendo o combustível a R$ 2,14.
Ivo José Melo, dono de posto em Rifaina, outro município que tradicionalmente recebe grande afluxo de turistas da região, afirma que os revendedores nada mais fizeram do que repassar o aumento aplicado pelos usineiros. “Infelizmente, se pagamos mais caro, acabamos revendendo mais caro”, disse.
Um gerente de posto de Franca, que preferiu não se identificar, segue o mesmo raciocínio. O comerciante afirma que novos aumentos podem ocorrer nos próximos dias. “A gente não sabe dizer em qual preço vai estacionar. Não dá pra fazer previsões seguras, mas existe uma expectativa de um novo aumento de cerca de R$ 0,10”. O gerente explica que não resta alternativa aos revendedores. “Nossa margem de lucro já está no mínimo. Caso os usineiros voltem a reajustar, só pode haver o repasse ao consumidor”.
DESABASTECIMENTO
O aumento no preço do álcool tem relação com a briga entre governo e usineiros. Houve a tentativa de estipular um teto de preços para o fornecimento do combustível, mas os produtores romperam com o combinado. A principal medida do governo aconteceu no início da semana, quando a porcentagem do álcool anidro misturado à gasolina foi reduzida. Toda a discussão sobre o assunto levou ao surgimento de boatos no mercado de que haveria desabastecimento do combustível nos postos do País. A existência dessa possibilidade foi confirmada ontem por donos de postos de Franca.
A União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica) informou, por meio de sua assessoria de Imprensa, que não há a possibilidade de desabastecimento de álcool no Brasil, pelo menos até o início de abril. No entanto, admitiu que os preços seguem em alta nas usinas e que as reclamações das distribuidoras e revendedoras em relação aos reajustes fazem parte do “jogo do mercado”. Pior para o consumidor, que tende sempre a sair perdedor.
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