Patrícia Paim
da Redação
Enquanto milhares de pessoas estão contando os dias para cair na folia, há quem queira passar bem longe da algazarra. Muitas pessoas simplesmente odeiam a festa do Momo e não suportam a barulheira do Carnaval. O problema é que, para esse público, as opções são poucas. Praticamente todas as cidades, por menores que sejam, têm Carnaval. O jeito é ser criativo para não passar o feriadão trancado em casa, principalmente porque a programação de todos os canais de TV é praticamente baseada na folia, inclusive com transmissão de desfiles de escolas de samba. O músico Tarcísio Rosa Mesquita, 30, é um exemplo típico de quem fica perdido durante esse período. “Até os 12 anos eu freqüentava a folia, mas por falta de opção. Como todos os meus amigos iam, eu não tinha o que fazer. Mas a verdade é que nunca gostei”, disse.
Mesquita afirma que todo ano “foge” de Franca nesta época. Por várias vezes, ele passou o feriadão vendo filmes no vídeo, já que a programação da televisão só fala sobre o assunto. Neste ano, ele programou ir para o meio do mato. “Vou passar a folia tocando viola e ouvindo música caipira. É a melhor coisa do mundo. É do que eu gosto”, disse ele, ressaltando que nem mesmo rancho é bom nesta época. “A maioria fica em clima de Carnaval, como não gosto, prefiro ir para bem longe”.
Para Tarcísio Mesquita, o pior do Carnaval é a “bagunça” generalizada. Segundo ele, neste período as pessoas ficam muito eufóricas e perdem até mesmo o respeito umas pelas outras. “O pessoal bebe demais e fica muito alterado, não se respeita nem mesmo quem está acompanhado”.
A maioria dos amigos do músico também não suporta a folia e deve fazer o mesmo, ou seja, se isolar do mundo e curtir moda de viola. A viagem do músico está marcada para hoje e o retorno só na quarta-feira, quando a “baderna” já houver terminado.
A auxiliar de biblioteca Janine Gianvecchio Pires, 24, também faz parte do grupo dos que têm aversão a confete e serpentina. Até os 18 anos, ela freqüentava os bailes do Castelinho, mas depois se cansou e passou a odiar a folia.
Para ela, fevereiro custa a passar. No começo do mês ela já começa a planejar o que vai fazer nos quatro dias em que reina o Momo. “Adoraria viajar para onde não existisse Carnaval, mas como não tenho condições financeiras acabo ficando em casa mesmo”, disse ela, ressaltando que nem liga a televisão. “Alugo um monte de filmes para não ter nenhum contato com o Carnaval”.
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