Rodolfo César
Enviado a São José da Bela Vista
Um lavrador de apenas 19 anos matou a tiros o patrão em uma emboscada anteontem à noite. O motivo é o mais banal possível. Dias antes, ele foi repreendido por ter dito que sairia mais cedo do serviço. O crime aconteceu na fazenda Santa Terezinha, a 15 quilômetros da cidade de São José da Bela Vista.
Segundo a polícia, Márcio Fernandes de Sousa, 19, escondeu-se atrás de uma mureta e aguardou o também lavrador e encarregado da propriedade Pedro Limeira, 58. Ao abrir a porta de sua casa, a vítima levou um tiro de espingarda calibre 36 e teve perfurado o pulmão e o fígado.
A emboscada aconteceu por volta das 20h40 de quarta-feira. Na colônia onde Limeira e Márcio moravam existem duas casas, distantes uma da outra dez metros. No momento, somente o rapaz e a vítima estavam no local.
Máximo Francisco Figueiredo, dono da propriedade e também morador no local, chegou à colônia por volta das 23h40 e foi o primeiro a ver o corpo caído em meio ao capim. “Nem cheguei muito perto. Quando vi aquilo fiquei aflito e liguei para a polícia”.
Nesse local, não é possível usar celular e foi preciso que o agricultor corresse pelo menos 100 metros para acionar a PM.
O suspeito estava por perto durante todo esse tempo, mas em conversa informal com a polícia disse não ter ouvido nenhum barulho. “O estampido dessa arma é alto e com a proximidade das casas é impossível não ouvir nada” apontou o investigador Vicente Massino, da delegacia de São José.
Desde a manhã de ontem, Márcio e o irmão, que também mora na colônia, foram levados pela polícia para interrogatório. Durante o depoimento, o rapaz entrou em contradição. Uma espingarda também foi encontrada na casa do suspeito. Ao ser questionado, ele acabou por confessar o crime. A espingarda usada na emboscada havia sido furtada de um vizinho na tarde do assassinato.
O dono da fazenda disse que Limeira era um funcionário de confiança e não tinha nenhuma “rixa”. Empregado há 15 anos, fazia diferentes serviços na propriedade que tem plantações de café e cana-de-açúcar. Sua segunda mulher morreu a cerca de quatro anos e desde então, ele morava sozinho. Seus quatro filhos vivem em Restinga, para onde a vítima viajava todos os fins de semana.
Pedro Pimenta está sendo velado em Restinga e será enterrado no cemitério da cidade às 14 horas de hoje, com trabalhos da funerária Tedesco.
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