“Queria mostrar para ele que não é assim que vai mexendo com qualquer um. Ele estava pensando que era quem?” Para Márcio Fernandes de Sousa, uma bronca do encarregado, o lavrador Pedro Limeira, não aconteceria uma segunda vez. “Para mim, conversa não resolveria”, completou.
O rapaz trabalhava na fazenda Santa Terezinha há dois meses com o irmão e a vítima. Vindo de Igarapava, o emprego era uma tentativa de livrar o jovem de problemas relacionados a furtos que teria praticado. “Ele mencionou alguns pequenos delitos, mas ainda não tinha sido pego”, disse o investigador Massino. O desentendimento entre Limeira e o empregado aconteceu há cinco dias, quando o jovem disse que sairia mais cedo por conta da chuva. “Estava trabalhando no café e começou a chover. Eu falei que ia parar mais cedo e ele (Pedro) disse que falaria para o patrão”.
Questionado se tinha medo de perder o emprego, ele disse que não. Na verdade, a afronta do homem o irritou. Mas você foi ameaçado? “Ele falou com uma cara feia”, respondeu.
O assassinato foi arquitetado e Márcio disse que não acreditava que a polícia o descobriria. “Achei que não. Não tinha testemunhas”. Mesmo tendo uma arma dentro de casa, que era propriedade do irmão, preferiu furtar a espingarda de um vizinho, residente na fazenda Santa Rita.
O objetivo era não incriminar o parente e evitar qualquer suspeita sobre ele. O lavrador se escondeu atrás de uma mureta e aguardou o encarregado sair do banheiro, que fica do lado de fora da residência. Ao dar as costas ao atirador, o disparo aconteceu. O suspeito correu, escondeu a arma em um cafezal e voltou para casa. A chegada da Polícia Militar não o assustou. Márcio continuou no local e disse ter contado o crime apenas a um sobrinho. Desde então, o investigador de São José e outros dois da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, Herick, Calil e Nilson, acompanharam o caso. Ingênuo, Márcio não resistiu sequer ao interrogatório de experientes policiais. Acabou indiciado e em flagrante. (RC)
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