Paulo Godoy
da Redação
Terminou no início da madrugada desta quinta-feira a longa espera de Rodrigo Ferreira, 32, instrutor de auto-escola em Franca, para rever sua filha, Karollainy Ferreira Menezes, 3, nascida na Espanha. Morando com a mãe em uma penitenciária espanhola, dela foi se-parada por decisão judicial. A vinda para o Brasil impediu que a criança fosse enviada para a adoção ou um orfanato daquele país.
O Comércio da Franca acompanhou a viagem de Ferreira a São Paulo, quarta-feira, e a chegada de Karollainy, viabilizada pelo deputado Gilson de Souza (PFL) e pelo radialista Marcelo Valim, da Rádio Difusora. Após recorrer ao Judiciário e à Prefeitura de Franca, atrás de ajuda para pagar a viagem da filha, Ferreira, que teve os pedidos recusados, procurou por Valim, em seu programa “Realidades da Vida”. Poucos minutos após contatar o deputado Gilson de Souza, o dinheiro, obtido junto ao Banco Santander, em São Paulo, já estava disponível. Valim também acompanhou Ferreira a São Paulo. Na capital, o deputado esperava o francano.
Entre os anos de 2000 e 2003, Rodrigo Ferreira cumpriu pena por tráfico internacional de drogas em Madri, na Espanha (leia texto nesta página). O relacionamento com outra brasileira presa pelo mesmo motivo teve como fruto a pequena Karollainy Ferreira Menezes, que nasceu na prisão.
A vinda da criança para o Brasil foi feita no limite do prazo dado pela Justiça espanhola para que ela deixasse a penitenciária de Soto Del Real, por ter completado a idade de três anos. Hoje, a menina poderia estar em um orfanato ou integrando listas de adoção na Europa.
Anteontem, no Aeroporto de Barajas, em Madri, Karollainy e sua mãe, Alessandra, foram escoltadas por policiais e acompanhadas pelo cônsul brasileiro Dom Roberto. Após o embarque, a mãe voltou para a prisão, depois de um período cumprido em semi-liberdade.
O vôo marcado para 20h20 de quarta-feira, chegou às 23h30. Muito mais nervoso e ansioso do que já estava na viagem de ida para São Paulo, Rodrigo Ferreira pouco conversava e, na maior parte do tempo, preferiu ficar meio distante do grupo que o acompanhou. “Só quero saber de minha filha”, repetia, enquanto, de tempos em tempos, atendia ligações do pai, José Adoldo, e da mãe, Maria Beatriz, perguntando se a neta já havia chegado.
No encontro entre os dois, em Cumbica, Rodrigo estava contido, mas muito emocionado. Levou roupas compradas para a filha e um ursinho de pelúcia marrom, primeira coisa que a criança agarrou. Lágrimas e felicidade no reencontro.
Na volta para Franca, Karollainy dormiu e parecia mais ambientada com as pessoas e os lugares. Às seis horas da manhã, pouco antes de passar por Ribeirão Preto, acordou e começou a brincar com o pai ainda dentro do carro. Por volta das oito da manhã, já na casa dos avós, pais de Rodrigo, em Franca, no Bairro da Estação, bexigas, bolos e refrigerantes esperavam pela pessoa mais importante da família naquela momento. “É a coisa mais linda do mundo”, disse o avô José Adolfo logo que viu a neta.
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