“Karol? Besitos, papa!”. Por alguns instantes, essas foram as únicas palavras que Rodrigo Ferreira falou anteontem à noite, quase já na madrugada de quinta-feira, no terminal 2 de desembarque internacional do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para a filha Karollainy.
O reencontro entre os dois, após dois anos de separação, chamou a atenção das pessoas que estavam no terminal à espera de parentes de amigos. A menina, que deixou Madri sob um frio de 7 graus, chegou ao Brasil com uma temperatura de quase 30.
Após mais de meia hora gasta no desembaraço de documentos pela Polícia Federal, Karollainy apareceu vestindo uma calça jeans, camiseta e tênis brancos. Agarrada a duas comissárias de bordo, parte de uma equipe de 11 pessoas, a brasileirinha era pura desconfiança. Ao pai, restou esforçar-se para conseguir a atenção da filha, que só foi sorrir quando se viu em algumas fotos feitas por Rodrigo ainda na prisão Soto Del Real, em 2003.
Dolores Arieta, comissária designada pela companhia aérea especialmente para acompanhar Karollainy, não se desgrudou dela, com quem trocava palavras carinhosas em um sussurrado espanhol . No vôo, disse a funcionária, a menina ficou agitada, mas nada que a diferenciasse de outras crianças da mesma idade. “Ela conquistou toda a tripulação, que se revezou nos cuidados”, disse Dolores.
A funcionária disse desconhecer os problemas que envolvem a vinda da criança para o Brasil. “Não precisamos saber; recebemos treinamento e cumprimos nossas determinações”.
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