No Leporace, mulher vivia entre ratos e fezes

O esforço de Eliane e Ana Carolina em tentar manter o pequeno cômodo no fundo da residência de Tatiana limpo e livre dos

24/02/2006 | Tempo de leitura: 2 min

Quarto na Rua Maria Lourdes Lamberti Molina, no Parque Vicente Leporace, em que Pedrina vivia deitada na cama: sujeira e mau cheiro dominavam o ambiente
Quarto na Rua Maria Lourdes Lamberti Molina, no Parque Vicente Leporace, em que Pedrina vivia deitada na cama: sujeira e mau cheiro dominavam o ambiente
Alessandro Macedo da Redação O esforço de Eliane e Ana Carolina em tentar manter o pequeno cômodo no fundo da residência de Tatiana limpo e livre dos odores de fezes humanas e de animais, urina e comida estragada parecia não ter surtido efeito quando a reportagem adentrou o número 605 da Rua Maria Lourdes Lamberti Molina, no Parque Vicente Leporace. Mas as amigas fizeram questão de afirmar que o pior foi para o ralo pela manhã, quando realizaram a limpeza. “Vocês tinham que ver isso de manhã. Estava horrível”, disse a mãe de Eliane, Alice. Na edícula sem água e luz elétrica vivia Pedrina até ontem à tarde. Suja de fezes e urina, deitada em um colchão imundo, sem forro e impossibilitada de se mexer por causa de dois derrames sofridos há pouco mais de seis meses, a única visita constante que recebia era a de uma ratazana, que se aproveitava de sua imobilidade para roer seus cabelos e unhas. Desnutrida, muito debilitada e com suspeita de tuberculose, a senhora de aproximadamente 48 anos, enfim, foi levada pela ambulância do Serviço Social da Prefeitura de Franca. Antes, porém, a Guarda Municipal, junto com a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social, fez a triagem; a Polícia Militar lavrou um Boletim de Ocorrência; a Polícia Civil apurou os fatos e pode abrir inquérito para Averiguação de Abandono. Pedrina foi levada para o Pronto-Socorro “Doutor Janjão” pela ambulância. Feito isso, ela deveria ser encaminhada para o Lar de Ofélia, uma instituição filantrópica que cuida de idosos. VIZINHANÇA Há seis meses, a dependência de amigos e vizinhos era total. Sem parentes, Pedrina contava apenas com um suposto amásio, conhecido pelo nome de Cidico. A única contribuição de Cidico nesta história, também de acordo com os relatos de populares, era acender o cigarro de Pedrina. Mas suas visitas ao local eram raras e, mesmo assim, ele comparecia embriagado, o que levantou a suspeita de que ele poderia estar abusando da mulher. Temendo que Cidico continuasse a abusar de Pedrina, a comunidade pediu ajuda. E foi atendida.

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