Pedrina perdeu a guarda de seus quatro filhos


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Pedrina não tem documento pessoal e pouco se conhece de sua vida. O que se sabe, segundo relatos dos vizinhos que a conhecem, é que há cerca de dez anos, por causa do alcoolismo, ela perdeu a guarda de seus quatro filhos, dois deles gêmeos. “Eles são lindos, você precisava ver”, disse Alice Teixeira Alcides, mãe de Eliane Teixeira Alcides, amiga de Ana Carolina Freitas Cruz - estas últimas lavaram a casa de Pedrina. A beleza das crianças ainda pequenas é o único registro que as três vizinhas têm delas. Há quase um ano, após o primeiro derrame, a vizinhança se revezava para ajudar Pedrina como podia. Uns lhe levavam comida, outros ajudavam na higiene pessoal. Ela, no entanto, parecia não querer ajuda. Após uma ligeira melhora, o alcoolismo falou mais alto, segundo vizinhos. A cachaça e a vida desregrada renderam novo derrame, este mais severo, que a deixou de cama. Tatiana Aparecida Glegório, moradora da casa principal, em frente à edícula de Pedrina, conta que a senhora que hoje vive em situação de abandono tinha boa saúde há um ano. “Mas abusava muito da bebida e acabou ficando doente”, disse. Numa pequena estante, o único móvel existente na casa úmida com goteiras por todo o telhado de amianto, garrafas pet vazias dão conta de como foi sua vida antes do derrame. Os pratos sujos com restos de comida azeda sobre a pia cheia de água sugerem que a última refeição na casa foi há pelo menos uma semana. Na vida de Pedrina, a bebida foi a responsável pela perda de tudo o que ela tinha de valor: os filhos, a saúde, auto-estima e a própria identidade.

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