A fantasia de Carnaval que torna o pobre, o trabalhador e o desempregado rei ou rainha por um dia é o tema do enredo da Pérola Negra para 2006. Junto a essa utopia carnavalesca, a escola do Jardim Brasilândia levará para a avenida seu protesto contra as desigualdades sociais, no enredo Nesta noite eu sou o rei. “A irreverência será a marca do desfile”, diz o carnavalesco Wagner Geraldo Alexandre, mais conhecido como Wagão. Os “súditos” da corte, por exemplo, estarão nas alas vestidos de pierrôs, arlequins e colombinas. Há ainda os “palhaços”, representados pelos sapateiros, lixeiros e pedreiros.
A rainha da festa já está escolhida. Será a destaque Cleidemar Rosa da Silva, que virá no segundo dos três carros alegóricos que a escola trará. Em 20 anos de passarela do samba, Rosa já ganhou cinco troféus de melhor destaque feminino, prêmio dado pela comissão organizadora do Carnaval.
Em casa, ela mesma se responsabiliza pela costura de sua fantasia. Quando vai para o barracão, ajusta os tecidos, detalhes e chapéus das alas. “Aqui, o trabalho não pára, são 20 horas por dia”, diz Rosa, que já prepara sua herdeira. Aos 11 anos, a filha Karine participará pela quarta vez consecutiva do desfile da Pérola. Neste ano, a menina virá na ala das colombinas.
Enquanto Wagão, Rosa e sua família se empenham no barracão, há pelo menos um mês, um trecho da Avenida Ademar de Barros virou uma verdadeira “quadra de ensaios” para os ritmistas. Quem passa de carro, buzina; outros param e caem no samba. Como na Embaixadores da Estação, a Pérola também aposta em sangue novo. O segundo mestre de bateria, Sandro da Silva, terá a responsabilidade de comandar cerca de 40 batuqueiros. “A bateria é o coração da escola, é preciso muito ensaio e harmonia”, diz o jovem que começou como ritimista aos 7 anos de idade.
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