Se o panorama não mudar, o ano deverá ser difícil para o setor calçadista brasileiro. É esse o cenário projetado pelos fabricantes de calçados. As importações, encabeçadas pelos sapatos chineses que estão substituindo os de produção nacional, devem dobrar neste ano, saindo de 17 milhões de pares registrados em 2005 para 34 milhões em 2006.
Segundo a Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados), as exportações devem recuar em 50 milhões de pares este ano ante o recuo de 22 milhões no ano passado. Tudo isso e um mercado interno desaquecido fazem com que a situação fique à beira do desespero, com a expectativa de corte de aproximadamente 25 mil vagas neste ano. Futuro negro para o empresário e para os trabalhadores.
Para chamar a atenção para a crise que o setor calçadista se prepara para enfrentar, os representantes da área realizaram ontem, em São Paulo, uma coletiva de imprensa com o intuito de mostrar as dificuldades vindouras e também sua indignação ao “pouco caso” por parte do governo. “Fomos muito bem recebidos nas ocasiões em que estivemos em Brasília, mas não tivemos mais nada além de promessas”, disse o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), Jorge Felix Donadelli.
Élcio Jacometti, presidente da Abicalçados, contou que obteve do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro passado, o compromisso de que o governo federal adotaria medidas para ajudar o setor a enfrentar os prejuízos causados pela desvalorização do dólar. “Todos nós estamos bastante frustrados porque nada foi feito”, reclamou.
Com a queda nas exportações, o ritmo da produção é desacelerado, e com isso, acontecem as demissões. “O que gera emprego é o volume de pares produzidos”, afirmou Donadelli. Pela pesquisa feita pelo Sindifranca com as fábricas da região, Franca começou o ano de 2005 com 23.520 empregos no setor calçadista e terminou com 18.140, queda de 22,87%. “Os números não estão fechados mas estima-se que, após dezembro de 2005, outros quatro mil trabalhadores francanos ficaram desempregados”, alertou Donadelli, acrescentando que mais demissões poderão ocorrer.
SAPATEIROS
A reunião entre os sindicatos dos trabalhadores nas indústrias de calçados e o patronal, realizada ontem, não obteve resultados. A questão do reajuste salarial dos sapateiros continua sendo discutida, bem como outras reivindicações. Na sexta-feira será realizada mais uma reunião no Ministério do Trabalho entre as duas partes. “Estamos caminhando para um entendimento”, limitou-se a dizer o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro.
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