Os sete pecados capitais na avenida


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Versiá, porta-bandeira da escola de samba há 15 anos: “Aqui, fazemos parte de uma família e vamos dispostos a brigar pelo título”
Versiá, porta-bandeira da escola de samba há 15 anos: “Aqui, fazemos parte de uma família e vamos dispostos a brigar pelo título”
Arnon Gomes da Redação Em 1989, uma dissidência das escolas de samba Unidos da Cidade Nova e Asas da Estação, hoje inexistente, resolveu fundar uma nova agremiação. Pensaram imediatamente em luxo. Daí o nome que ostenta até hoje: Pavão de Ouro. É a junção do animal, associado por muitos à vaidade, com o metal que representa riqueza. De volta ao Grupo Especial, após vencer o Grupo A em 2004, a escola entrará na avenida para falar justamente de luxúria e outros seis pecados capitais: cobiça, inveja, soberba, gula, preguiça e ira. O enredo estava guardado na gaveta havia um ano. O carnavalesco Leonardo Cleiner o planejou para o último Carnaval, mas como não houve desfiles no ano passado, resolveu desenvolvê-lo em 2006. Questionado se a demora na liberação da verba, por parte da prefeitura, prejudicou o andamento dos trabalhos no barracão, Leonardo desconversa e se mostra otimista. “Nosso desfile vai surpreender do começo ao fim”. Para isso, a escola da Cidade Nova virá grande. Trará cerca de 280 componentes, divididos em 13 alas. As fantasias serão marcadas por cores fortes como vermelho, preto e roxo. E contará ainda com quatro alegorias. A primeira segue uma tradição quase em desuso nos desfiles de escolas de samba contemporâneos: trazer o símbolo da escola representado logo no carro abre-alas. A segunda representará o Jardim do Éden; a terceira, as tentações; e a última, a pureza. “Reciclamos, sabemos que não dará para fazer o Carnaval dos sonhos, mas a escola virá bonita”, diz. EQUIPE EXPERIENTE Como nas outras agremiações, as últimas semanas têm sido corridas. Nos barracões, cada integrante colabora da maneira que pode. Na Pavão de Ouro, Leonardo recebe o apoio de um veterano: Djair Anésio Ferreira, 53, fundador da escola e participante de desfiles há 40 anos. Diariamente, lá está ele cortando isopor e fazendo colagens. “Atraso acontece todos os anos, mas, no final, sempre dá certo”, garante o sambista. O experiente folião já passou pela Unidos da Cidade Nova e foi também um dos fundadores da Pérola Negra. Em quatro décadas de samba, Djair guarda na memória o Carnaval de 1996, quando desfilou na Vai-Vai, tradicional escola de samba paulistana, campeã por 12 vezes. Os componentes da Pavão de Ouro acreditam que, com dedicação, chegarão à vitória. “Aqui, fazemos parte de uma família e vamos dispostos a brigar pelo título”, diz a porta-bandeira Versiá, que carrega o pavilhão da escola desde a sua fundação há 15 anos.

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