Quando saiu de Franca, desempregado, no início de 2000, debaixo de dívidas, Rodrigo Ferreira imaginava poder resolver a vida em São Paulo, trocando a experiência de sapateiro por qualquer outra coisa. Ontem, ao Comércio da Franca, meio desconexo, contou que ao desembarcar no Terminal Rodoviário do Tietê, na capital, encontrou um amigo que soube de sua situação. O amigo, então agenciador de um grupo de nigerianos de Franca, avisou da proposta de levar a droga para a Espanha. Quanto mais cápsulas conseguisse engolir, mais ganharia.
Ao aceitar, soube de imediato que receberia US$ 2 mil. Como parte do trato, ficou uma semana trancado em São Paulo, enquanto passaporte e outros papéis eram providenciados pelos traficantes. “Nunca poderei dizer que fiz o que fiz por ingenuidade; sabia das complicações”, disse Ferreira.
Hoje, quase três anos depois de ser libertado, ele trabalha em Franca, está casado e tenta reconstruir a vida. “Mas essa mancha na minha alma eu nunca vou conseguir apagar”. (PG)
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