Representantes calçadistas decidiram dar um grito de alerta sobre a crise que ameaça o setor e realizam coletiva em São Paulo, às 10 horas, no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) para detalhar os problemas, como o risco de novas demissões em 2006 e a desaceleração das exportações com a queda do dólar. “Estamos desapontados e frustrados com a falta de reação por parte do governo aos nossos apelos de ajuda. Queremos expor ao mercado e ao próprio governo a preocupação com o setor. Não podemos ficar quietos e morrer igual carneiros. Dependemos da mídia para ter voz”, disse Elcio Jacometti, presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), que estará na entrevista.
Apreensivo com a iminência de nova crise, o presidente do Sindicato das Indústrias de Franca, Jorge Félix Donadelli, disse ser inviável o setor continuar como está, com o dólar abaixo de R$ 2,70, risco de empresas suspenderem as exportações, encerrarem as atividades e demitirem novos funcionários. “Reclamamos dos problemas, mas o governo não se mobiliza. Faremos um pedido de socorro para o setor à beira de uma crise”, disse ao mencionar as 4,5 mil demissões registradas em Franca em 2005 e queda nas exportações. Em 2004, as indústrias da cidade venderam para o mercado externo 10,2 milhões pares e, no ano passado, 8,8 milhões.
O presidente do Sindicato das Indústrias local não apresentou projeções para 2006. “Não temos notícias de demissões em janeiro ou fechamento de fábricas, mas o primeiro mês do ano é atípico porque muita gente está de férias”. A Abicalçados apresentou projeções nacionais para este ano. Caso a atual política cambial imposta pelo governo federal seja mantida, o setor deverá registrar 25 mil novas demissões (foram 20 mil no País em 2005) e 85 milhões de pares a menos na produção. No ano passado, os empresários deixaram de exportar 23 milhões de pares.
Jorge Félix Donadelli, o presidente da Ciesp, Cláudio Vaz, e os presidentes dos Sindicatos das Indústrias de Calçados de Jaú, Caetano Neto, e de Birigüi, José Colli, também estarão na capital hoje para a coletiva.
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