Lisiane Marques
da Redação
Um susto. Com certeza, foi esse o primeiro impacto de quem abasteceu seu carro a álcool na manhã de ontem em Franca. Os preços dispararam e, de um dia para o outro, o litro passou de R$ 1,57 a notáveis R$ 1,79 em alguns postos da cidade. Na maioria dos casos, o produto é encontrado a R$ 1,75. E não deve parar por aí. O Comércio apurou junto a fontes do setor que, nos próximos dias, os consumidores poderão pagar até R$ 1,90 por litro. Nem mesmo o site da ANP (Agência Nacional de Petróleo) consegue acompanhar a variação dos preços. No levantamento da agência, consultado ontem pelo Comércio e que é feito com base no que é cobrado do consumidor, ainda consta o valor médio do álcool na cidade como sendo R$ 1,56. Na realidade, nem mesmo os proprietários de postos pagam esse valor à distribuidora de combustível. Segundo um funcionário de um posto, os empresários estão pagando cerca de R$ 1,65 pelo álcool.
O presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) de Ribeirão Preto, Renê Abad, disse que a situação está realmente complicada. “Os donos de postos não têm outra alternativa a não ser repassar os aumentos a seus clientes”, afirmou. Em Franca, o presidente do sindicato dos donos de postos, Luís Cláudio Coelho Lima, não foi encontrado para comentar a situação na cidade.
Todo o problema começa com a “guerra” entre usineiros e o governo federal. O presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Eduardo Pereira de Carvalho, confirmou ontem, em São Paulo, que não será mais possível para o setor sucroalcooleiro manter o acordo com o governo, que em janeiro limitou o preço do litro do álcool combustível a R$ 1,05. Para ele, além do cenário interno em janeiro ser diferente do atual, a alta dos preços do álcool no mercado internacional também contribui para a alta das cotações. “O atual preço do álcool combustível no mercado externo é de até US$ 580 por metro cúbico, o equivalente a R$ 1,15 por litro”. Carvalho disse que o setor tem de ser regido pela lei de oferta e demanda e, neste momento, a procura está maior que a oferta.
Para conter a alta de preços, o governo expôs suas armas. Ontem, decretou a diminuição do percentual de álcool anidro adicionado à gasolina.
Segundo Carvalho, a decisão do governo de reduzir a mistura de 25% para 20% é legítima. De acordo com ele, essa redução elevará a oferta no mercado interno. Mas o executivo não garante que os preços retrocederão. Se continuar do jeito que está, o álcool, que antes era bem mais barato que a gasolina, fator que impulsionou diversos consumidores a converter o motor de seus carros, estará concorrendo de perto, em termos de preço, com a gasolina, cotada, atualmente, ao valor médio de R$ 2,48. Nem carro flex encherá o bolso do consumidor.
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