Arnon Gomes
da Redação
Ensaios, mutirões nos barracões e compras de última hora. A uma semana do Carnaval, as escolas de samba de Franca correm contra o tempo para deixar tudo pronto até sábado, quando começarão as apresentações. Apesar dos poucos recursos, as agremiações prometem fazer bonito. Motivos não faltam. Sem desfilarem em 2005, elas voltam a abrilhantar o Carnaval da cidade neste ano. Passistas, ritmistas, baianas, destaques, os personagens principais da festa não vêem a hora de entrar na passarela do samba “José Renato Alves”, na Avenida Integração, para mostrar que são bons no gingado.
Enquanto os foliões aquecem os passos e os ritmistas esquentam os tamborins, nos barracões o ritmo se tornou acelerado nesta semana que passou. Longe das “fábricas de sonhos” das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde uma escola chega a gastar até R$ 5 milhões para montar um desfile, em Franca os carnavalescos reciclam e improvisam. Agnaldo Nascimento, também da “Aliados”, diz que, há duas semanas, passou a dormir no barracão. “Temos trabalhado com fantasias antigas, recortes de jornais e revistas e garrafas pet”, diz. Para levar à avenida o enredo que exaltará a história do próprio bairro, Nascimento passou a contar com uma equipe de dez voluntários, que se dividem na montagem das alegorias e na costura das fantasias.
União e trabalho em equipe também não faltarão à Filhos de Gandhi, escola de samba que volta a desfilar neste ano depois de 18 anos ausente. Por conta disso, a entidade perdeu todo seu patrimônio. Para recuperá-lo, teve de desembolsar cerca de R$ 4 mil na compra de instrumentos para a bateria e ainda arrumou quatro armações de carros alegóricos. Para desenvolver o enredo que presta homenagem ao jornalista Vicente Leporace, hoje nome de bairro na cidade, a escola não tem nem carnavalesco. “É tudo comunitário, diretores e componentes dão idéias e vamos executando”, diz Lázaro Barato, presidente da escola, que encerrará as apresentações do Grupo A (veja quadro na página A-11). “Vamos entrar para voltar ao Grupo Especial”.
Apesar do tempo escasso, os integrantes da escola Pavão de Ouro, que volta à elite do samba francano após ter sido campeã do Grupo A em 2004, confiantes na vitória. “Carros faltam ser montados e fantasias precisam de acabamento, mas o andamento dos trabalhos é bom”, diz o carnavalesco Leonardo Cleiner. O enredo sobre os sete pecados capitais será desenvolvido com quatro alegorias e 280 componentes.
Colaborou Soraia Veloso
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