O destino dos irmãos Carlos Eduardo Oliveira Pires, 23, e Robson Francisco Pires, 20, executados com tiros na cabeça, dia 30 de dezembro, na estrada velha Franca/Batatais, já estava traçado. Eles não foram mortos aleatoriamente após mais uma banal ocorrência de roubo. Como a Polícia Civil suspeitava, o duplo homicídio foi encomendado e teve um mandante. A informação foi confirmada ao Comércio da Franca pelo próprio autor dos assassinatos. “Foi a mando do Grimar”, disse Jeferson Lourenço Campos, 20.
A revelação foi feita sexta-feira, às 23 horas, em entrevista exclusiva, após o rapaz prestar depoimento à polícia, onde também ratificou e assinou as declarações. Questionado sobre os motivos pelo qual Grimar teria mandado matar, Jeferson desconversou. “Não sei, não. Só sei que ele mandou nóis (sic) fazer isto. Acho que ele tinha bronca dos caras”.
Jeferson trabalha como montador de móveis para uma grande loja de departamentos da cidade e mora no Jardim Aeroporto II, perto da casa de familiares dos dois irmãos. Disse conhecer Grimar do próprio bairro, onde teria sido contratado para matar as vítimas. Sobre a forma de pagamento, apresentou versões contraditórias. “Ele me daria uma quantia em dinheiro”. Perguntado quanto ganharia, mudou de versão, disse que ficaria apenas com acessórios do carro e que o dinheiro seria dado somente aos dois comparsas, um menor de 17 anos e Daniel Ferreira de Souza, 18.
Aparentemente sem demonstrar qualquer tipo de remorso, Jeferson contou que a arma usada no crime teria sido fornecida pelo suposto mandante. Confirmou que abordaram os dois irmãos em um posto de combustíveis, na saída de Franca para Restinga, dizendo tratar-se de um roubo. As vítimas foram levadas para a Rodovia Rionegro e Solimões, a três quilômetros da pista do aeroporto. “Meus dois amigos ficaram perto, mas atirei sozinho. Mandei os irmãos deitarem no chão e dei um tiro na cabeça de cada um. Primeiro, matei o menor deles. O outro se levantou e tentou vir para meu lado, foi quando atirei nele também”. Perguntado se tem medo de represálias, ele desconversou. Logo após gravar a entrevista, deixou a delegacia e foi para casa, pois não havia mandado de prisão expedido contra ele.
Apontado pelo assassino confesso como mandante do crime, Grimar Baptista de Freitas, 40, foi preso na madrugada de sexta-feira durante operação realizada pela polícia no complexo do Jardim Aeroporto. Sua prisão temporária foi determinada pela Justiça exatamente pela suspeita de ser mandante do crime. Como o acusado está na cadeia, a reportagem não teve como ouvir sua versão. “Ele negou tudo e disse que não tem envolvimento com o caso”, contou o investigador Sandro. Durante conversa informal com a reportagem na porta da sede da DIG, a filha e a mulher de Grimar disseram que ele é inocente. “Estão armando para ele”. Grimar esteve preso por quatro anos na penitenciária de Serra Azul, cumprindo pena por tráfico de drogas.
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