‘Ninguém sabe nada. Ninguém viu nada’


| Tempo de leitura: 2 min
Em julho de 2005, a estudante de 13 anos que queria interromper a gravidez de um mês não teve que andar muito para chegar à clínica clandestina de aborto de “dona Fia”. A distância entre sua casa, no bairro Vera Cruz e a de Aparecida dos Santos Bernardes é de pouco mais de cinco quilômetros. A própria casa, em si, também não é de difícil acesso, tampouco fica muito longe dos órgãos policiais. Assim como acontece em qualquer crime, entre os que conhecem os envolvidos impera a lei do “ninguém sabe de nada, ninguém viu nada”. “Ih, só estou sabendo desse caso porque vi no jornal, nem conheço direito a mãe da menina”, disse uma vizinha que não quis ser identificada. A casa em que a família mora está à venda. Ninguém soube informar se a placa foi posta no portão antes ou depois do caso vir à tona. Ninguém da família da estudante quis se pronunciar. “Não falo nada sobre isso, meu marido não quer”, disse a mãe da garota, que também está sendo acusada pela polícia por ter acompanhado a filha à casa de “dona Fia”. Na rua da acusada, ninguém nunca tinha ouvido falar das práticas da mulher. “Moro aqui há décadas e nunca soube que a dona Fia fizesse aborto”, disse uma vizinha que preferiu não se identificar. Outro morador da rua, no Parque São Jorge, disse apenas que “ela é estranha, não conversa com ninguém por aqui, sai pouco de casa. Se fez algo, fez muito bem feito, escondido de todos”. Uma antiga amiga da família, Maria Aparecida Rodrigues, está inconformada com a notícia. “A dona Fia é quietona, não costuma ir à casa de ninguém, mas quando alguém precisa dela ela nunca nega ajuda”, disse. Maria Aparecida a conhece há mais de 40 anos. “O marido dela trabalhava na roça e ela cuidava dos dois filhos que tinha na época. Sempre gostou de criança e, aparentemente, era boa mãe. Nunca imaginei que ela pudesse fazer algo desse tipo”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários