Marco Felippe
da Redação
Doze lideranças da coordenação nacional do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) decidiram, ontem, em Brasília (DF), que a onda de invasões e protestos iniciada nesta semana na região de Franca continuará. O encontro, que prossegue até amanhã, discute uma série de ações em favor da reforma agrária. Entre elas está a invasão de dez novas propriedades rurais na macrorregião de Ribeirão Preto, que compreende 66 cidades. Segundo Jean Gomes, 28, da coordenação nacional de São Paulo, disse ontem, por telefone, que propriedades de Franca estão na relação.
Na madrugada do dia 11 de fevereiro, um grupo de 250 famílias do movimento invadiram a fazenda Santana, em Cristais Paulista. O objetivo do MLST é a criação de um assentamento na Fazenda Santa Cruz, vizinha à área ocupada (veja matéria nesta página).
Com 12 assentamentos em São Paulo, o MLST quer a criação de outras quatro comunidades em 2006, uma delas em Cristais Paulista. “Temos interesse na Fazenda Santa Cruz, mas caso a negociação não seja possível há mais nove áreas em vista”, afirmou o sem-terra. No total, o grupo analisou durante sete meses 30 propriedades na região de Franca, algumas inclusive foram selecionadas para serem vistoriadas pelo Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária). Jean não quis revelar em quais cidades ficam as propriedades, mas fez referências a Ribeirão Corrente, Batatais e Patrocínio Paulista.
Gomes explicou que a série de manifestações e invasões é denominada Jornada de Luta e ocorrerá em todo o Brasil. No Estado, o MLST prepara o maior número de ações na capital e na região do Pontal do Paranapanema. A “jornada” está prevista para começar depois do Carnaval e durar todo o mês de março. “Franca é uma região estratégica, na qual temos bastante interesse. É bem provável que haja novas invasões”, disse Jean, sem querer entrar em maiores detalhes. Além dele, Davi Pereira da Silva (o Paraná), também da coordenação nacional na região, participa do encontro em Brasília. Ontem, a assessoria de imprensa do Incra-SP ainda não tinha conhecimento da existência de acampamento do MLST em Cristais Paulista.
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