Dono de fazenda diz estar tranqüilo


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Um cruzeiro escondido por uma árvore indica a entrada da Fazenda Santa Cruz na divisa de Cristais Paulista com Claraval (MG). Com 1.200 hectares, a propriedade que sobrevive da pecuária (2.500 cabeças de gado nelore) é a área de maior interesse para a criação de um assentamento pelo MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). Segundo os representantes do movimento, a terra é improdutiva, vale R$ 15 milhões e está penhorada no Banco do Brasil. Eles querem que o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) faça uma oferta pela área. O proprietário demonstrou não ter interesse pela venda. Vizinha a Fazenda Santana, onde 250 famílias do MLST estão acampadas desde sábado, a propriedade pertence ao empresário Erildo Lima, morador em São Paulo, e não foi invadida porque os sem-terra estão atentos à lei do interdito proibitório. Criada no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a lei estabelece que não pode ter início um processo de desapropriação de uma fazenda que tenha sido invadida. Na quinta-feira, Erildo Lima, 74, que trabalha com mercado financeiro na capital do Estado, disse por telefone ao Comércio da Franca estar tranqüilo e ciente dos objetivos do MLST. Porém, não confirmou e nem desmentiu as afirmações feitas pelos líderes do movimento. “Jornal cuida de jornal e eu cuido de venda de fazenda. Se precisarem de mais informações falem com o meu advogado”, respondeu de forma ríspida. Cliente do advogado francano Setímio Salermo Miguel, a reportagem do Comércio da Franca tentou durante dois dias falar com o advogado, mas o mesmo não retornou nenhum dos recados deixado com o seu secretário, identificado como Max. Em todas as tentativas, Miguel estava sempre em reunião e não podia atender a imprensa.

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