O dia-a-dia de Frei Mauro Oliveira pode ser descrito como extremamente atarefado. Ele desperta pela madrugada e reza uma missa às 6h30 da manhã. Em seguida reza o Ofício, a Oração da Manhã, com o Frei Joaquim. Toma café em seguida. Faz o atendimento espiritual à comunidade pela manhã. Esse atendimento, numa média de 50 pessoas diariamente, engloba orientação, confissão e assistência ao pobre. “Às vezes chegamos a atender até 70 pessoas, inclusive evangélicos. Em casos de depressão, por exemplo, precisamos de mais tempo para ouvir, sofrer com... Em suma, são sempre clamores”, disse.
Ele destaca que no caso de depressão, quando há indícios de alguma patologia, a paróquia encaminha o indivíduo a atendimento psicológico especializado, mas diz que muitas vezes é o psicólogo ou psiquiatra que envia algumas pessoas à paróquia. “Nosso primeiro serviço, enquanto sacerdotes, é ouvir o que a pessoa tem a dizer. O contato e a disponibilidade para isso são fundamentais para lidar com essa carência que as pessoas têm. Tenho me esforçado para aprender com os nossos irmãos psicólogos”, diz.
Parte de seu dia, em geral no período da tarde, é dedicada à comunicação televisiva ou irradiada, com programas e mensagens na Rede Vida, nas rádios Difusora, Três Colinas, Imperador. Fazem parte de sua rotina atendimentos em outras comunidades, reuniões pastorais, casamentos, batismos, reuniões com as famílias (Pastoral Familiar), celebrações eucarísticas, velórios, visitas a hospitais, unções, encontros de casais, reuniões com jovens (Pastoral da Juventude, Juventude Franciscana e Ministério dos Acólitos). “A Paróquia São Judas Tadeu já possui duas comunidades no Orkut. Embora eu não tenha tanto conhecimento de internet, já estou fazendo evangelização por meio dessa importante ferramenta de disseminação de conhecimento” (veja texto nesta página).
Anualmente promove a Festa de Réveillon e a Grande Quermesse, que a partir do mês de abril é realizada numa comunidade por mês, além de inúmeros almoços beneficentes.
Na dimensão missionária, Frei Mauro destaca o conceito imperativo do “Pertença”, em comunhão ideológica com a Cúria e com a Ordem dos Franciscanos. “Ser fransciscano é ser irmão, é ser próximo de Deus e do povo. É aquele que faz a experiência de estar com o outro e pelo outro. Um franciscano não vive só, não possui bens em seu nome e ao mesmo tempo ele tem tudo. Quando vive numa fraternidade, ele jamais faz algo sozinho. Eu estou aqui como pároco da Paróquia São Judas Tadeu, mas sei que isso é transitório. Auxiliam-me e vivem comigo na Casa Paroquial o Frei Antônio Carlos Marchioni e o Frei Joaquim Camilo Alves”.
Em recente viagem por seis países da Europa, uma peregrinação a locais santos sob o roteiro da Rede Vida, Frei Mauro visitou os santuários de Fátima (Portugal), onde concelebrou missa; Santo Antônio (Lisboa); Nossa Senhora de Lourdes (em Lourdes, França); Assis (na Itália), entre outros.
Se Frei Mauro continua seu apostolado em Franca? É impossível prever, uma vez que as transferências dos párocos e religiosos em geral ocorrem por uma decisão capitular, ou seja, no Capítulo Eletivo, que ocorre nas fraternidades franciscanas maiores. O próximo evento do gênero, que dura uma semana, está marcado para acontecer no final de 2007, aqui em Franca, por ser a maior fraternidade da região, quando todos os nomes ficam sujeitos à transição. “A decisão sobre o destino de seus sacerdotes corre por conta dos religiosos franciscanos ao lado do provincial da Itália, que vem para cá especialmente para esse processo de transferência. Isso porque nós, franciscanos, respondemos a uma Província italiana, ou às Missões Italianas. Por exemplo, o Dom Frei Caetano é franciscano da Província do Brasil. Nós somos fransciscanos ligados a uma Província de Nápole”.
Sempre recebem visitas de seus superiores italianos, como no dia 8 de fevereiro, quando esteve na cidade frei Luige Ortaglio, ministro Providencial da Itália. Há a visita fraterna e a pastoral. Esta última analisa o trabalho pastoral. A visita fraterna busca saber sobre o estado do religioso especificamente, com interesse na saúde, no trabalho, no desempenho do religioso.
Com seu desempenho exemplar, acima da média, não é necessário dizer que as visitas são quase sempre de láureas. Pretensões políticas? “Já fui sondado, mas não desejo me envolver em política. Acho que na religião posso fazer muito mais”, finaliza.
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