A mulher e a filha, em entrevista ao Comércio ontem, disseram que não pretendem mais encontrar o sapateiro José Aparecido Rocha de Jesus. “Depois de várias coisas que aconteceram, agora o que me resta é não ter contato com ele”. A adolescente de 13 anos, ainda abalada pela situação que presenciou, disse não saber se perdoa o pai. Para ela, se ele decidiu “por esse caminho, agora terá de pagar”. Ela e o irmão de 11 anos ficarão com uma vizinha enquanto a mãe for medicada. O menino mais novo está na casa de uma tia.
Maria Aparecida Pereira de Jesus está casada com o sapateiro José Aparecido Rocha de Jesus há 15 anos. Ela mesma assumiu que, apesar do tempo, não pode dizer que conhece o marido. Segundo a doméstica, ele possui diferentes personalidades. Há cerca de quatro anos o sapateiro não trabalha devido a problemas na coluna, inclusive tomando remédios diariamente. Cerca de sete meses atrás o marido saiu de casa sem avisar. Dois meses mais tarde passou a enviar cartas para a filha de 13 anos e ligava pedindo para voltar. Mesmo com a vida conturbada, a vítima disse que o aceitou novamente. “Eu fui tonta mesmo”. Além disso, o salário era curto, cerca de R$ 320 por mês e a ajuda de familiares e amigos.
A doméstica disse que durante o tempo em que conviveu com o marido nunca houve uma discussão mais acirrada ou agressão entre os dois. Anteontem, ela foi pega desprevenida. Estava sentada em um colchão quando recebeu a facada, anunciada por uma frase curta. “Com ela eu dou na cara, com você, faço assim”, lembrou.
Enquanto aguardava o resgate, a mulher ficou de pé, amparada por uma vizinha que apareceu para ajudar. “Eu tremia e sangrava muito. Parecia que tinha uma coisa que ficava endurecendo onde foi isso aqui (a facada)”. O médico que atendeu a doméstica disse na visita de ontem de manhã, na Santa Casa, que ela teve sorte em não morrer.
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