Renato Alves
Correspondente em Ituverava
As regras nem estão valendo, mas a polêmica já existe. E a ameaça já se traduziu em números. Um quarto da força de trabalho da lavoura de cana-de-açúcar pode perder o emprego caso as novas regras ditadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para benefícios dos trabalhadores rurais passem a valer. Nas regiões de São Joaquim da Barra, Ituverava, Miguelópolis e Igarapava, estima-se que pelo menos 40 mil pessoas trabalhem no corte da cana, ganhando em média R$ 600 por mês no sistema de produtividade. Quem corta entre 8 e 10 toneladas por mês chega a receber até R$ 800. Este valor pode cair para R$ 500 e que haja um desemprego próximo de 25%.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar de Igarapava, Ari Diniz Teles, “é um absurdo o que estão fazendo com o produtor rural”. Ele explica que no caso da cana, hoje o produtor já fornece um kit com luvas, facão, polaina e óculos a um custo total de aproximadamente R$ 80 por trabalhador, fora o transporte até o campo.
Ari considera que o governo deveria ouvir melhor os produtores antes de tomar alguma atitude. “Não tem como cumprir isso. O que estão querendo é falir os pequenos formando uma maior concentração de renda em torno dos usineiros”, esbravejou. Ele mostra ainda que dos 496 associados de Igarapava, 491 são pequenos produtores que não terão como manter as lavouras se forem obrigados a cumprir essas novas regras. “Vamos ter que parar ou arrendar as terras para as Usinas. Isso vai provocar demissões”, afirmou Ari. Ele opina que as usinas não estão se importando muito com a situação e mostra que somente nesta semana uma usina de Igarapava, a Cozan, adquiriu duas novas máquinas de colher cana. “São 180 empregos a menos na região”, lamenta.
Mostra que em toda a região pelo menos 70% dos trabalhadores rurais são contratados pelos pequenos produtores, que se arrendarem suas terras, passariam para as usinas o direito de contratar os operários. “Uma máquina custa R$ 500 mil e faz o serviço de 80 homens e dá como despesa apenas o combustível e a manutenção. Se um cortador resolver levar o patrão na Justiça, leva de imediato pra casa o valor desse combustível”. As novas exigências estão sendo discutidas pelo Ministério do Trabalho com 138 usinas do Estado de São Paulo. A idéia é obrigá-las a oferecer melhores condições de trabalho, principalmente, aos cortadores de cana e alterar a forma de pagamento dos funcionários (veja texto abaixo).
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