Batida na ‘clínica’


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Sentada na cama em que cometia os abortos, Aparecida dos Santos Bernardes, 75, responde a questionamentos feitos pela delegada Graciela Ambrosio, da DDM de Franca: “Ela vem matando há vários anos e merece ser presa”, diz a policial
Sentada na cama em que cometia os abortos, Aparecida dos Santos Bernardes, 75, responde a questionamentos feitos pela delegada Graciela Ambrosio, da DDM de Franca: “Ela vem matando há vários anos e merece ser presa”, diz a policial
Edson Arantes da Redação Munidos de um mandado expedido pelo juiz Luiz Pinheiro Sampaio, da 3ª Vara Criminal, os agentes da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) vasculharam, ontem, a casa de Aparecida dos Santos Bernardes, a “Dona Morte”, 75, mulher que confessou ter praticado abortos em série em mulheres da cidade e região desde 1969. Os policiais procuravam materiais usados na prática do crime. Mas se havia alguma prova na residência, elas foram destruídas anteriormente. A batida não revelou nenhum objeto utilizado pela mulher na prática de aborto. Durante depoimento prestado na delegacia, quarta-feira, uma adolescente de 13 anos relatou que a sonda usada para provocar seu aborto teria sido comprada por seu namorado. Mas há informações de que a própria “Dona Morte” fornecia o material de vez em quando. Com isso, os policiais foram até a residência na tentativa de encontrar algum vestígio. “Revistamos toda a casa, mas, como era de se esperar, não encontramos nada. Com a repercussão do caso, dificilmente a mulher continuaria guardando algo comprometedor”, comentou a delegada Graciela Ambrósio. Dona Morte acompanhou atentamente as buscas realizadas em sua casa. Apesar de confessar ter interrompido várias gestações, continua em liberdade, pois não foi detida em flagrante. Ao fim do inquérito, a delegada deverá pedir sua prisão à Justiça. “Juntaremos o maior número de provas possível e relembraremos os antecedentes da mulher. Ela vem matando há vários anos e merece ser presa”. A policial fez o comentário referindo-se aos antecedentes da mulher. Ela já respondeu a quatro processos por provocar aborto, o primeiro deles referente ao ano de 1969. Em 1978, foi condenada pelo crime, mas, beneficiada por sursis, teve a pena suspensa e não foi presa. Também já respondeu a processo por lesão corporal. OUTRAS TESTEMUNHAS A cada dia que se passa, a situação de Dona Morte parece complicar. Ontem, com a divulgação do caso, a polícia passou a receber denúncias de novas mulheres que teriam se submetido ao procedimento abortivo. A DDM recebeu a ligação de uma mulher, a qual disse ter feito aborto com Aparecida há cerca de 20 anos. Essa nova testemunha será ouvida nos próximos dias. “Acreditamos que várias outras mulheres tenham passado pelas mãos dela, mas muitas ficam com medo de nos procurar”. O número de abortos cometidos é desconhecido, mas pode passar de centenas, já que o primeiro processo de aborto registrado contra a mulher data de 1969. A DDM também está à procura do namorado da adolescente de 13 anos, que tem 26 anos, que denunciou o caso. Ele será intimado a prestar depoimento e corre o risco de ser preso. “O rapaz será indiciado por co-autoria no aborto e por estupro. Mesmo se ela tivesse consentido o ato sexual, fica configurado crime, pois a garota tem apenas 13 anos de idade”, explicou a delegada.

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