Até quarta-feira, Aparecida dos Santos Bernardes era chamada pelos amigos de Dona Fia. Depois que sua faceta de provocar abortos em série veio à tona, imediatamente foi apelidada de Dona Morte. Na tarde de ontem, recebeu a polícia em sua casa e deixou transparecer que já começou a sentir os efeitos da confusão em que se meteu. Parecia assustada, estava trêmula e falou pouco. Numa rápida entrevista ao Comércio, admitiu ter praticado os crimes e disse que os fazia para ajudar as mulheres que a procuravam. “Elas vinham pedindo pelo amor de Deus, né?”. Questionada sobre o número do abortos que provocou, alegou não saber, mas confirmou ser em grande quantidade. “Não eram poucos, não”. Neste ponto da entrevista, alegou estar passando mal e que não queria falar mais sobre o assunto. “Tudo o que tinha que falar, já falei”.
No depoimento prestado à polícia, contou detalhes dos procedimentos adotados para interromper gestações. Introduzia sondas no útero das mulheres com a ajuda de um arame, arrancado de flores artificiais existentes na sala de sua casa. “A menstruação descia na hora”. Em média, seus serviços custavam R$ 120 e demoravam dez minutos. Não usava nada para desinfetar e também não receitava remédios. Pedia apenas para as mulheres ficarem com a sonda de cinco a sete dias. “Preocupada” com a recuperação das pacientes, não se esquecia de fazer uma recomendação especial. “Mandava elas não fazerem estripulias”.
A delegada Graciela ficou indignada ao ouvir as revelações de Dona Morte. “As mulheres que se submeteram às práticas adotadas por essa senhora correram grande risco de pegar infecções e até mesmo de morrer. Quantas pessoas podem ter ficado com graves lesões e que nunca vieram a público dizer? Ela cometia uma loucura, uma irresponsabilidade enorme e tem que pagar por isso”.
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