Nelise Luques
da Redação
Quem passa pela calçada da casa de número 198, na Rua Cavalheiro Ângelo Presotto, no Bairro São José, ouve os assobios e conversas do casal de papagaios (de 4 anos), vulgos “mulatas”, com o sapateiro aposentado Sebastião Souza Morais, 65. Na parte da tarde, as aves ganham companhia (além das 30 galinhas criadas por hobby e para consumo familiar) e o coro recebe reforço. Há cerca de 60 dias, duas araras azuis de peito amarelo, chamadas popularmente de canindés, visitam o quintal do morador.
Desde o primeiro encontro, o contato é amistoso. Dóceis, as araras atendem aos chamados e brincadeiras de Sebastião e comem das mãos dele. Praticamente todos os dias, por volta das 17 horas, as araras dão ar da graça e pousam nos pés de goiaba, manga, maracujá, limão, jabuticaba e amora. Apesar da variedade de árvores plantadas em aproximadamente 430 metros quadrados nos fundos da residência, elas já elegeram as frutas preferidas: goiaba e maracujá. “Fico ansioso aguardando as araras. Elas chegam como helicópteros, pousam nas árvores e furam as frutas para comer. É um espetáculo”.
De onde saem, Sebastião não sabe precisar, mas já se atreveu a subir no telhado para descobrir o rumo que tomavam depois de se alimentarem no seu quintal. “Observei de cima da casa para onde voam. Elas descem pelo lado da faculdade (de Direito) e vão para o Miramontes”, disse o jovem senhor de 65 anos. Pelos cálculos dele, as aves percorrem aproximadamente seis quilômetros até o Bairro São José.
Saber a idade dos animais é outro desafio. Mas o morador tem um palpite. “Acredito que elas têm mais ou menos oito anos. Os pés delas já estão cascudos e comparo com os pés dos meus papagaios, que vão ficando mais grossos com o passar dos anos”.
Como os dois papagaios, as araras também foram batizadas de “mulatas” pelo dono do imóvel. A expectativa dele é continuar com o privilégio de receber dois animais raros. “Quero que venham sempre. É uma alegria recebê-las, um verdadeiro presente. Gosto demais da natureza”.
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